O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que o Brasil não dispõe de capacidade militar para resistir a uma eventual ação armada dos Estados Unidos. A declaração foi dada durante evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, nesta terça-feira (4/8). Na ocasião, ele defendeu a ampliação dos investimentos federais nas Forças Armadas.
Ao ser questionado sobre o que faria caso os americanos decidissem invadir o território brasileiro, Múcio respondeu que, em vez de lutar, abriria o portão de entrada. Ele disse que essa é uma pergunta recorrente da imprensa e explicou que a resposta reflete a realidade do país: não há equipamento suficiente para um confronto e também faltam recursos para reparar os estragos que uma guerra causaria.
O ministro justificou que, diante de um adversário tão superior, a opção mais sensata seria evitar o conflito. Ele comparou a situação a um cenário em que não se tem condições de pagar pelos prejuízos de uma batalha. Por isso, preferiria ceder de imediato a arcar com as consequências de uma derrota.
A fala de Múcio serviu para reforçar a defesa de mais verba para a Defesa. De acordo com ele, o Brasil aplica aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor, percentual que considera insuficiente para manter a tropa equipada e em condições de atuação. Ele argumentou que esse patamar de investimento não permite a modernização necessária.
Em sua explanação, o titular da Defesa procurou evitar que suas palavras fossem interpretadas como um sinal de belicismo do governo federal. Ele ressaltou que ter um orçamento robusto para a área não significa intenção de atacar outros países. A analogia usada por ele foi a de um plano de saúde: contrata-se o melhor serviço possível, torcendo para nunca precisar usar.
As declarações de Múcio acontecem em um momento de acirramento das relações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Desde o início do mandato de Donald Trump, os dois países têm trocado críticas e adotado medidas que elevam a tensão diplomática, especialmente em áreas como comércio exterior e política internacional.
Em julho, a administração americana impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros, com alíquotas de 25% e 12,5%. Além disso, Washington renovou por mais um ano a declaração de emergência nacional que envolve o Brasil, mecanismo que permite ao presidente americano aplicar sanções econômicas contra o país.
Nesta terça-feira, um novo episódio elevou o mal-estar: o governo americano revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A ação é uma resposta ao atraso do Itamaraty em autorizar a nomeação do novo embaixador americano em Brasília. Antes, o Brasil havia negado vistos para dois diplomatas dos EUA.
O evento organizado pela CNI tinha como pauta central a descarbonização do transporte marítimo. Além de Múcio, participaram do encontro representantes do governo, da indústria e do setor naval. O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, também esteve presente.
Fonte: Metrópoles





















