O diretor-presidente do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, avaliou nesta terça-feira, 4, que a corrida presidencial ainda está em aberto, mesmo com a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o deputado Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao programa Conversa com Augusto Nunes, ele explicou que os números atuais refletem apenas o momento pré-eleitoral e podem mudar com os debates, a propaganda obrigatória, as condições econômicas e eventos imprevistos.
Hidalgo destacou que não enxerga um cenário definido e que tudo pode ser alterado até outubro. Ele citou que a média dos levantamentos do instituto indica Lula com 40% a 41% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33% a 34%. Na sequência, Ronaldo Caiado teria de 4% a 5%, Renan Santos de 3% a 4% e Romeu Zema de 2% a 3%. Com esses números, o pesquisador projeta que a decisão ocorrerá somente no segundo turno.
Em um eventual confronto direto, Lula teria uma vantagem de três a seis pontos porcentuais sobre Flávio. Contudo, Hidalgo fez questão de ressaltar que essa diferença é limitada ao período da coleta de dados e não assegura um resultado futuro. Ele ironizou dizendo que se o segundo turno fosse no domingo, Lula levaria, mas a votação não é amanhã.
Sobre a transferência de votos, o presidente do instituto afirmou que aproximadamente 70% dos eleitores de Caiado e Zema migrariam para Flávio em uma segunda etapa da disputa. Já o eleitorado de Renan Santos estaria dividido entre Lula, Flávio, indecisos e aqueles que preferem não escolher nenhum dos dois.
Mesmo com a dianteira, Hidalgo acredita que a diferença não é suficiente para declarar a corrida encerrada. Ele reconheceu que Lula possui uma pequena vantagem, mas lembrou que o imponderável pode mudar tudo, como já ocorreu em pleitos anteriores. Para ele, acontecimentos inesperados têm o poder de reverter qualquer tendência apontada pelas pesquisas.
O pesquisador citou exemplos históricos, como a morte de Eduardo Campos em 2014 e o atentado sofrido por Jair Bolsonaro em 2018. Segundo ele, esses episódios mostraram que nenhum cenário é garantido e que o inesperado pode surgir a qualquer momento. Por isso, ele reforçou que é impossível prever o que de fato pode ocorrer na reta final da campanha.
Além dos fatores políticos, Hidalgo enfatizou que a economia será um termômetro decisivo para o eleitor, principalmente num segundo turno. Ele observou que as pessoas votam com base em sua realidade de consumo, e não nos indicadores oficiais apresentados pelo governo.
Nesse sentido, o preço dos alimentos, dos combustíveis e de outros itens essenciais próximo à votação pode favorecer ou prejudicar a candidatura do atual presidente. Ele exemplificou que se o custo da cesta básica cair até outubro, incluindo itens como picanha e cerveja, Lula tende a ser beneficiado. Por outro lado, se houver alta desses produtos, a situação se tornará mais complicada para o petista.
Por fim, Hidalgo mencionou que a corrupção voltou a ser apontada como a principal preocupação dos eleitores nas sondagens recentes. Anteriormente, temas como segurança pública, saúde e endividamento lideravam as respostas. Esse novo dado, segundo ele, pode trazer impactos relevantes no comportamento do eleitorado durante o processo eleitoral.
Fonte: Revista Oeste





















