A indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como vice foi selada após uma articulação interna que durou cerca de seis meses. Dirigentes partidários e parlamentares ouvidos pela reportagem afirmam que a escolha levou em conta a trajetória profissional de Gaspar, com destaque para sua experiência na área de segurança pública e o trabalho à frente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou fraudes no INSS.
Além do currículo, a decisão considerou aspectos políticos e eleitorais. Aliados de Flávio mencionaram a imagem de Gaspar no combate à corrupção, construída ao longo de sua carreira no Ministério Público, e o fato de ele ser nordestino, o que, na avaliação do partido, pode ampliar o alcance da campanha em uma região considerada estratégica para as eleições.
Segundo interlocutores da campanha, o deputado tem um perfil que permite dialogar com diferentes setores do eleitorado sem afastar as bandeiras tradicionais do PL. A expectativa é que ele ajude a fortalecer a chapa em estados onde o partido busca expandir sua influência.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, justificou a indicação com argumentos relacionados à biografia de Gaspar. Ele ressaltou que o deputado atuou como promotor de Justiça e chefiou o Ministério Público de Alagoas, além de ter protagonizado a defesa de aposentados na CPMI do INSS e solicitado a prisão de um filho do ex-presidente Lula, em referência a investigações ligadas ao caso.
“A escolha foi pela sua história em frente à segurança pública”, declarou Valdemar. “É alguém que já foi promotor de Justiça, chefe do Ministério Público do seu Estado, que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS e que pediu a prisão do Lulinha, porque entendia que ele tinha culpa no cartório.”
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), elogiou a escolha e destacou características de Gaspar que considera essenciais, como integridade e capacidade investigativa. Portinho enfatizou o trabalho do deputado na comissão que apurou irregularidades contra segurados da Previdência e afirmou que os resultados obtidos mostram que havia problemas ocultos.
“O Alfredo Gaspar representa aquilo em que o Brasil acredita e aquilo que os brasileiros gostariam de ver em seus representantes: uma pessoa íntegra”, afirmou Portinho. “Ele transmite uma imagem de honestidade e tem uma capacidade investigativa que ficou evidente na CPMI do INSS, produzindo resultados concretos que estamos vendo agora. Isso mostra que ele estava certo. Havia, sim, muita coisa escondida debaixo do tapete e debaixo do tapete da sala do presidente da República e do seu chefe de gabinete.”
Portinho também ressaltou que a presença de um político do Nordeste na chapa fortalece o diálogo com todas as regiões do país. Na avaliação dele, Gaspar reúne atributos como austeridade, honestidade e reputação ilibada, o que pode contribuir para a aceitação da candidatura em diferentes estados.
“Alfredo Gaspar reúne atributos que considero fundamentais. É um homem austero, honesto, de reputação ilibada e nordestino”, declarou. “Isso amplia a capacidade da chapa de dialogar com todo o Brasil.”
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que chegou a ser cotada para o cargo, disse que a escolha leva em conta o perfil do deputado. Para ela, Gaspar defende pautas relevantes no cenário atual, como combate à corrupção e segurança pública, o que pode pesar positivamente na campanha.
“Ele traz credibilidade”, analisou Tereza. “É uma pessoa que defende duas pautas muito importantes para o Brasil de hoje. O combate à corrupção e a segurança pública. Acho que esses fatores pesaram bastante na escolha dele.”
Questionada sobre a importância do trabalho de Gaspar na CPMI do INSS, a senadora afirmou que acredita que esse fator tenha sido considerado. Ela destacou que todos os nomes que estavam em discussão foram avaliados e que o perfil de cada um foi levado em conta antes da definição.
“Imagino que sim”, respondeu. “Eu não participei dessa decisão, mas acredito que tenham colocado todos os nomes possíveis sobre a mesa e avaliado o perfil de cada um.”
Tereza também comentou que o tema das fraudes contra aposentados deve continuar em evidência durante a campanha. Ela lembrou sua própria reação ao tomar conhecimento dos casos e afirmou que a indignação da população em relação ao assunto permanece viva.
“É um assunto que não morreu, porque os brasileiros ficaram indignados”, destacou. “Eu mesma fiquei muito indignada e disse isso várias vezes. Aquela CPMI foi muito difícil. Eu saía de lá arrasada. O Brasil não pode continuar anestesiado diante de temas como esse.”
O sigilo em torno da escolha foi mantido até o anúncio oficial. Valdemar Costa Neto revelou que a decisão estava tomada há cerca de seis meses, mas que a preocupação era evitar vazamentos. Ele contou que orientou Flávio Bolsonaro a conversar com o deputado sem dar pistas sobre a possível indicação.
“O que mais me impressiona é que isso não vazou”, disse Valdemar. “Sempre falavam em outros nomes, mas eu dizia ao Flávio: ‘Pelo menos converse com o Alfredo, mas não fale nada’. Não podia vazar de jeito nenhum. Levamos isso até o fim.”
Depois da oficialização, o dirigente elogiou a condução das negociações e afirmou que a chapa recebeu o aval de aliados históricos do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo a própria Tereza Cristina. Ele declarou que o senador Flávio foi decisivo para o desfecho positivo.
“Flávio, você está de parabéns”, afirmou Valdemar. “Fez uma escolha maravilhosa, aprovada pela Tereza Cristina e por pessoas que sempre estiveram ao seu lado e ao lado do seu pai. Tenho certeza de que o seu pai está orgulhoso de você.”
Alfredo Gaspar tem 55 anos e é advogado com pós-graduação em Direito Público. Ele está no primeiro mandato como deputado federal, exercendo o cargo desde 2023. Antes de ingressar na Câmara, foi promotor de Justiça e procurador-geral de Justiça de Alagoas.
No Congresso, Gaspar participou de comissões importantes, como Constituição e Justiça, Segurança Pública e Relações Exteriores. Ele também esteve envolvido em CPIs e coordenou a comissão externa que acompanha o afundamento do solo em bairros de Maceió, capital de Alagoas.
Nos últimos meses, o deputado ganhou destaque nacional ao ser o relator da CPMI do INSS, comissão que investigou suspeitas de irregularidades em benefícios previdenciários. O relatório final produzido por ele trouxe à tona uma série de achados que reforçaram sua imagem de investigador rigoroso.
Agora, a chapa formada por Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar inicia a campanha com o desafio de consolidar a aliança e apresentar propostas para o país. A expectativa dos apoiadores é que a combinação entre o perfil político do senador e a trajetória técnica do deputado possa atrair eleitores que valorizam experiência em gestão pública e combate à corrupção.
Fonte: Revista Oeste





















