Uma empresa que começou produzindo vinhos e cachaças no Sul de Santa Catarina se transformou na maior marca brasileira de energéticos, superada apenas pela multinacional Red Bull. A Baly Brasil, fundada em 1997 em Tubarão, projeta faturar R$ 2,5 bilhões em 2026 e se prepara para inaugurar uma nova fábrica na região.
O início da trajetória foi modesto, com a produção de bebidas alcoólicas sob o nome Bebidas Grassi. A mudança de rumo veio em 2004, quando a empresa adquiriu equipamentos que permitiram a fabricação de refrigerantes. Cinco anos depois, a aposta em um energético mudaria completamente sua história.
Na época, sem estrutura para envasar em latas, a companhia optou por garrafas PET, um formato pouco usual para a categoria. A estratégia visava tornar o produto mais acessível à população, democratizando o consumo de energéticos no país.
A tática funcionou rapidamente. Em 2012, a marca já liderava as vendas na Região Sul. O crescimento foi impulsionado pela diversificação do portfólio, ampliação da distribuição e investimentos constantes em inovação.
Embora os energéticos sejam hoje o carro-chefe, as raízes nas bebidas alcoólicas não foram abandonadas. A Baly mantém em seu catálogo vodkas da linha Intencion, cachaças Caninha 81 e Caninha Tonturinha, o destilado Master Gold, a cremosa Marula e a cerveja Baly Bier Pilsen Puro Malte.
A entrada no segmento cervejeiro ocorreu oficialmente em 2017, e logo no ano seguinte a empresa conquistou um prêmio no World Beer Awards, uma das principais competições internacionais do setor.
A partir de 2018, a gestão passou por uma reformulação, adotando uma cultura voltada à inovação, à agilidade e à aproximação com consumidores. Durante a pandemia de Covid-19, a produção não parou e a companhia chegou a fabricar álcool para atender à demanda emergencial.
Os resultados vieram em números expressivos. Em 2023, o crescimento foi de 43%, alcançando 26,6% de participação no mercado brasileiro de energéticos, o que consolidou a liderança nacional.
O próximo passo é repetir a estratégia de diversificação, agora com foco em bebidas saudáveis. A Baly adquiriu participação na Original Ginger, marca de refrigerantes zero açúcar feitos com extrato natural de gengibre, e passará a produzir e distribuir o produto em todo o território nacional.
Essa iniciativa acompanha a tendência do mercado wellness, que atende consumidores em busca de redução de açúcar e opções mais saudáveis. A companhia enxerga nesse nicho uma oportunidade de crescimento.
A expansão internacional também ganha força. A marca já está presente no Paraguai, Uruguai, Argentina, Estados Unidos, México, Chile, Bolívia e Suriname, e acaba de iniciar as exportações para a Europa, com a Grécia como porta de entrada.
Dayane Titon Cardoso, diretora de Marketing e Comercial da Baly, destaca que a internacionalização é parte do plano de tornar a empresa uma referência global. Ela compara a marca a uma “Coca-Cola” dos energéticos, tamanho o reconhecimento entre clientes.
Para sustentar o crescimento, a empresa investe R$ 300 milhões na construção de uma nova fábrica em Araranguá, também no Sul catarinense. A unidade terá cerca de 100 mil metros quadrados e deve começar a operar no segundo semestre, gerando aproximadamente mil empregos diretos.
A expectativa é encerrar 2026 com faturamento de R$ 2,5 bilhões, superando os R$ 1,8 bilhão registrados no ano anterior, quando o crescimento foi de 45%. Atualmente, a Baly emprega cerca de 1,5 mil colaboradores diretos.
Com quase três décadas de história, a empresa demonstra que a capacidade de se reinventar foi essencial para sair de uma pequena produtora de vinhos e cachaças para se tornar um gigante do setor de bebidas no Brasil e no exterior.
Fonte: NSC Total





















