☁️ 14° Jaraguá do Sul Nublado
Qui ☁️ 25° 17°
Sex ☁️ 27° 18°
Sáb 🌦️ 30° 18°

SAÚDENova diretriz internacional redefine tratamento de puberdade precoce infantil

publicidade

Uma nova diretriz internacional, conduzida por uma cientista brasileira, redefine os protocolos de diagnóstico e tratamento da puberdade precoce central (PPC). O documento, elaborado pela Sociedade de Endocrinologia, foi apresentado no início de dezembro na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, uma das publicações científicas mais influentes do mundo.

A PPC é caracterizada pelo início da maturação sexual antes do esperado: em meninas, antes dos oito anos, e em meninos, antes dos nove. A atualização substitui um consenso que já durava mais de 15 anos e propõe uma abordagem mais cautelosa e individualizada.

Entre as principais mudanças, a nova diretriz recomenda que a observação clínica seja a primeira conduta em muitos casos. Em vez de partir imediatamente para exames laboratoriais ou de imagem, o médico deve acompanhar a criança com avaliações físicas periódicas a cada quatro a seis meses, principalmente em situações limítrofes.

Outra alteração significativa é a adoção do exame de LH basal ultrassensível como ferramenta inicial de investigação, em substituição aos testes de estímulo hormonal, que são mais complexos e invasivos. Essa medida reduz drasticamente a necessidade de procedimentos desconfortáveis para os pacientes.

Além disso, o documento orienta que exames como ressonância magnética cerebral e testes genéticos sejam reservados apenas para casos com indicações clínicas específicas, como suspeita de anomalias neurológicas. Isso evita a realização de procedimentos caros e desnecessários.

No que se refere ao tratamento, a diretriz abandona a ideia de que toda criança diagnosticada com PPC deva receber medicação hormonal. A decisão deve ser tomada em conjunto entre médicos, pacientes e familiares, considerando os potenciais benefícios, riscos e impactos psicológicos de cada intervenção.

A proposta central é que a medicina seja guiada pelo princípio do “menos é mais”, evitando intervenções supérfluas. Essa filosofia foi destacada pela endocrinologista britânica Sasha Howard, que assinou o editorial da The Lancet sobre o tema, intitulado exatamente “less may be more”.

Quem liderou a elaboração do documento foi a professora Ana Claudia Latronico, titular de Endocrinologia e Metabologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ela coordenou um grupo de especialistas de diferentes países para produzir as novas recomendações.

Em entrevista, Latronico explicou que a diretriz propõe uma conduta mais personalizada e baseada em evidências, direcionando exames e terapias apenas para pacientes que realmente possam se beneficiar. Ela avalia que essa mudança representa um avanço significativo para a prática clínica e para o cuidado com os pacientes.

A pesquisadora também comemorou o destaque do trabalho em uma revista como a The Lancet, destacando que isso mostra o quanto a ciência brasileira está conectada com as questões globais. Para ela, a liderança nessa diretriz reforça o papel do país na definição de padrões internacionais de tratamento pediátrico.

A publicação está disponível para leitura na íntegra, e especialistas esperam que as novas orientações sejam incorporadas rapidamente pelos sistemas de saúde, impactando positivamente a qualidade de vida de crianças e adolescentes em todo o mundo.

Fonte: ND+

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade