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MAIS TRAPALHADASEntenda o caso Lulinha e a nota fiscal para empresário alvo da PF

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Documentos obtidos pela Polícia Federal revelam que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, deu instruções à lobista Roberta Luchsinger sobre a emissão de uma nota fiscal destinada ao empresário Cleber Ribas, proprietário da 3Structure It Ltda. Essa empresa firmou contratos que somam R$ 85,7 milhões com o governo federal.

As conversas integram um inquérito que apura possíveis ligações do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com empresários e sua eventual influência em órgãos públicos. O teor do diálogo foi divulgado pela coluna de Tácio Lorran, no portal Metrópoles.

Em julho de 2023, Lulinha pediu que Roberta convidasse Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para um encontro na Praia do Forte, na Bahia. A lobista afirmou ter contatado diversas autoridades.

Na mensagem, Roberta relatou: “Já falei com Fernando, com contador, com governador, com secretários, com todo mundo”. Em seguida, Lulinha orientou: “Emite a NF pro Cleber”. A resposta veio pronta: “Já fiz”. O filho do presidente elogiou a agilidade dela.

Cleber Ribas também figura como investigado no mesmo processo. De acordo com informações divulgadas, a 3Structure teria repassado ao menos R$ 150 mil para a empresa de Roberta, a RL Consultoria, por serviços de prospecção de clientes e identificação de oportunidades no setor de tecnologia.

A 3Structure, fundada em 2019 e sediada em Florianópolis, celebrou seis contratos com o governo federal, totalizando R$ 85,7 milhões. Cinco deles foram firmados por meio de licitações.

O contrato mais expressivo foi assinado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Em 2023, a pasta contratou a empresa para fornecer uma solução de sustentação do ambiente analítico de dados, com valor acumulado superior a R$ 42 milhões.

Outro contrato envolveu a Telebras. As mensagens indicam que Roberta mantinha contato com integrantes da estatal.

O relatório policial aponta que, em maio de 2023, Ribas pediu a Roberta uma reunião com Lulinha. Dias depois, o empresário informou que Rodrigo Assumpção havia assumido a presidência da Dataprev.

As investigações sobre Lulinha foram autorizadas pelos ministros do STF André Mendonça e Flávio Dino. O foco inclui os contatos do filho do presidente com empresários e sua possível atuação em órgãos federais.

As mensagens também revelam que Roberta e Lulinha mantinham relações com membros do governo. Lulinha mencionou reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, chefe de gabinete de Lula, e com Swedenberger Barbosa, o Berger, que era secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Marcola era um assessor próximo do presidente e dialogava com integrantes da administração. Berger, conforme as investigações, teria facilitado o acesso do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, ao Ministério da Saúde.

Antunes é alvo de apuração por descontos indevidos em benefícios do INSS. Segundo a PF, ele teria repassado R$ 1,5 milhão a Roberta. Em uma transferência, o lobista teria dito que o dinheiro era para o “filho do rapaz”.

A PF também encontrou mensagens sobre a compra de joias para Marcola. Roberta tratou da aquisição de brincos de diamantes e de um colar. Defesa de Marcola afirma que os itens custaram R$ 9,2 mil e estavam ligados a um empréstimo de R$ 249 mil, já quitado.

Em outra conversa, Roberta disse que ela e Lulinha atuavam em um “nível diferenciado” e que “o futuro é a Suíça”. A troca de mensagens também menciona contatos com integrantes do governo.

A defesa de Lulinha afirmou que não vai comentar trechos de informações sigilosas divulgadas fora de contexto. Os advogados Guilherme Suguimori e Marco Aurélio de Carvalho classificaram a divulgação como possível violação de sigilo funcional.

Os defensores de Cleber Ribas disseram que a relação com Lulinha é estritamente pessoal, sem qualquer vínculo profissional. Eles afirmaram que os contratos da 3Structure foram firmados com transparência e dentro da lei.

O advogado Roberto Podval, que representa Roberta, não comentou o caso devido ao sigilo do inquérito.

O pagamento de R$ 150 mil da 3Structure à empresa de Roberta já havia sido identificado. Segundo Ribas, a RL Consultoria prestou assessoria de prospecção de clientes, de forma legítima e com toda documentação regular.

A defesa sustenta que o serviço não teve ligação com os contratos da 3Structure com o governo.

Roberta e Lulinha também aparecem em investigações sobre a atuação de Careca do INSS. Ele tentava viabilizar um contrato milionário para compra de cannabis medicinal pelo Ministério da Saúde, mas o processo foi interrompido pela Operação Sem Desconto, que apura descontos irregulares em benefícios de aposentados.

Fonte: Revista Oeste

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