Uma única palavra de quatro letras foi suficiente para ampliar o clima de tensão entre o Palácio do Planalto e a Polícia Federal. A mais recente fase da investigação que resultou na quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu o codinome “Elli”. A escolha do nome despertou reação imediata entre aliados do governo, que enxergam uma referência ao gesto com as mãos em forma de “L”, símbolo utilizado nas campanhas do PT.
De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, a sonoridade de “Elli” remete diretamente ao “L” que marca o símbolo da campanha petista. A Polícia Federal, no entanto, não confirmou nem descartou essa interpretação. Em nota oficial, a corporação limitou-se a informar que o termo pode ter origem hebraica, relacionado a significados como “luz” ou “meu Deus”. Também não há, segundo a PF, qualquer indício de que algum investigado ou pessoa citada nos autos possua esse nome.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, classificou a denominação como “infeliz” e “criminosa”. Em declaração à imprensa, ele afirmou que espera explicações formais da Polícia Federal sobre os critérios adotados para a escolha do codinome. Para a defesa, a ausência de justificativa plausível sugere que a ação teria motivação política, com suposto caráter eleitoral, a poucos meses das eleições municipais.
Carvalho evitou estender suas críticas ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por quem declarou respeito. Ele disse acreditar que a condução do caso possa estar sendo influenciada por setores internos da corporação com interesses político-partidários, o que configuraria uma perseguição ao filho do presidente. A defesa de Lulinha sustenta que todas as movimentações financeiras do empresário são legais e que não há qualquer irregularidade comprovada.
O foco oficial da Operação Elli, conforme divulgado pela PF, é a apuração de possíveis crimes de lavagem de dinheiro relacionados a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e pessoas de seu círculo de convivência. Foi durante essa investigação que o nome da lobista Roberta Luchsinger surgiu. A hipótese investigada é que Lulinha teria utilizado sua influência no Palácio do Planalto para facilitar o acesso de terceiros a órgãos do governo federal, com supostas tentativas de conseguir contratos junto ao Ministério da Saúde.
Os investigadores destacaram uma conversa obtida por meio do celular de Roberta, na qual ela afirmaria que o futuro dela e de Lulinha seria “na Suíça”. Essa frase, segundo a defesa, não tem valor probatório, pois não teria sido apresentada a cadeia de custódia do material, o que colocaria em dúvida sua veracidade. A equipe jurídica de Lulinha reforça que não há nenhuma prova concreta de que ele tenha se beneficiado de qualquer articulação política ou recebido vantagem financeira indevida.
O caso teve início a partir de investigações sobre fraudes contra aposentados, envolvendo o pagamento indevido de benefícios do INSS. Nessa frente, Lulinha figura como investigado, mas não é alvo principal da apuração original. Com o avanço das diligências, o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de três inquéritos distintos, sendo um deles de relatoria do ministro André Mendonça, e os outros dois do ministro Flávio Dino.
Até o momento, conforme relatos de investigadores, não há elementos que comprovem qualquer vantagem financeira obtida por Lulinha em razão de supostas articulações. As investigações permanecem sob sigilo, e a Polícia Federal ainda não se manifestou publicamente sobre a origem do nome que gerou desconforto no Planalto. A expectativa é de que novos desdobramentos possam esclarecer tanto as suspeitas quanto a motivação por trás do codinome escolhido.
A reportagem buscou contato com a Polícia Federal para obter esclarecimentos adicionais, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto para manifestações da corporação e da defesa do empresário.
Fonte: Brasil Paralelo Notícias


















