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O CLIMA NO BOLSOEl Niño forte pode encarecer alimentos em SC; veja os mais afetados

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Santa Catarina deve sentir os efeitos do El Niño nos preços dos alimentos nos próximos meses. A expectativa é que o fenômeno se intensifique entre novembro e janeiro, período em que tradicionalmente provoca secas, enchentes e ondas de calor, afetando diretamente a produção agrícola.

Especialistas alertam que a combinação de clima extremo e colheitas prejudicadas tende a reduzir a oferta de diversos produtos, pressionando os valores no supermercado. A alta pode ser sentida de forma imediata em itens mais sensíveis, enquanto outros devem sofrer reajustes apenas nas próximas safras.

Estudos históricos mostram que anos de El Niño costumam ser marcados por escassez de alimentos e inflação. O professor de Economia e Finanças Edivan Junior Pommerening explica que as mudanças climáticas afetam não só a agricultura, mas toda a cadeia econômica.

“O El Niño mexe principalmente com o clima e, quando ele muda, a economia sente: agricultura, energia, transporte e até o comércio podem ser afetados. No mundo, o efeito pode se espalhar pelas cadeias de produção e comércio, influenciando preços de alimentos, commodities e até a inflação de diferentes países”, afirmou.

Com a redução da oferta, a tendência é de elevação dos preços. O professor ressalta que o produtor também arca com custos extras para recuperar lavouras, arcar com transporte e insumos, o que acaba repassado ao consumidor final.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que a agricultura é um dos setores mais vulneráveis aos efeitos climáticos do El Niño. Na Região Sul, o fenômeno costuma trazer chuvas acima da média, principalmente no inverno e na primavera, aumentando a umidade do solo.

Esse excesso de água favorece o surgimento de doenças, plantas daninhas e pragas nas lavouras. As culturas de trigo e aveia, em fases críticas de floração e enchimento de grãos nos meses de setembro e outubro, são particularmente ameaçadas.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), de 1996 a 2025, mostram que a produção de trigo ficou 80% abaixo da média em períodos chuvosos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Para a aveia, a quebra foi de cerca de 60%.

Segundo Pommerening, os reflexos aparecem primeiro nos produtos que dependem diretamente do clima, como milho, soja, trigo, arroz, feijão, frutas, hortaliças e carnes. No caso específico de Santa Catarina, a produção de grãos é essencial para a cadeia de proteína animal.

“Alterações na produção de milho e soja podem ter efeito também sobre a cadeia de carnes, porque esses grãos são importantes na alimentação dos animais. Ou seja, o impacto não fica necessariamente na lavoura: ele pode percorrer toda a cadeia produtiva e chegar ao preço final que o consumidor paga”, explicou.

O especialista ressalta que o consumidor pode não perceber a alta imediatamente. Se a safra for prejudicada, o impacto tende a ser mais forte nos meses seguintes. “O El Niño pode começar a pressionar os preços agora, mas a conta mais pesada pode aparecer na próxima safra, dependendo da intensidade dos danos”, acrescentou.

Além do campo, o El Niño também pode provocar destruição de estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos em reconstrução. Quando eventos climáticos causam enchentes ou deslizamentos, o poder público precisa remanejar recursos, o que pode afetar outras áreas do orçamento ou aumentar a dívida pública.

“Quando eventos climáticos provocam enchentes, deslizamentos ou danos à infraestrutura, o poder público precisa direcionar recursos para reconstrução de estradas, pontes, escolas e outros serviços. Esse dinheiro precisa sair de algum lugar e, muitas vezes, significa remanejar o orçamento, deixando menos recursos disponíveis para outras áreas ou aumentando a necessidade de financiamento público. Por isso, um fenômeno climático pode gerar uma conta econômica que vai muito além do prejuízo imediato: afeta empresas, famílias e também os cofres públicos”, afirmou.

Um exemplo recente foi o Rio Grande do Sul, onde as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada. Foram gastos cerca de R$ 700 milhões em obras de reconstrução, mas dois anos depois a rodovia ainda não foi totalmente recuperada.

Diante desse cenário, a Defesa Civil de Santa Catarina mantém alerta para o período entre novembro e janeiro, quando o fenômeno deve atingir seu pico. O meteorologista Caio Guerra avaliou o risco como alto e preocupante, especialmente para a primavera, historicamente a estação mais crítica no estado. Ainda assim, não é possível prever com certeza quais áreas serão atingidas por desastres.

O fenômeno El Niño é uma alteração na temperatura das águas do Oceano Pacífico, que interfere nos padrões de vento e chuva em várias partes do mundo. Quando essa variação persiste por pelo menos cinco meses, é caracterizado como El Niño. Em situações extremas, em que a elevação da temperatura ultrapassa 2°C, costuma-se chamar de “Super El Niño”.

Eventos dessa magnitude já aconteceram no passado, como em 1982 e 1983, considerado o maior já registrado. Agora, pesquisadores acompanham a possibilidade de um novo episódio que possa superar os estragos anteriores, daí a preocupação das autoridades.

Para a população, a orientação é se preparar para possíveis variações de preços e também para os riscos de alagamentos e deslizamentos em áreas vulneráveis. A Defesa Civil recomenda atenção aos alertas meteorológicos e planos de contingência.

No cenário econômico, a expectativa é de que os efeitos do El Niño se estendam para além das fronteiras catarinenses, influenciando o mercado nacional de alimentos e até as taxas de inflação. Ainda assim, a intensidade final do fenômeno só poderá ser confirmada ao longo dos próximos meses.

Fonte: NSC Total

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