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SAÚDEAgosto Dourado reforça importância do aleitamento materno em Santa Catarina

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O mês de agosto é marcado pela cor dourada em Santa Catarina para destacar uma das práticas mais essenciais para a saúde infantil: a amamentação. A campanha Agosto Dourado foi instituída no estado pela Lei estadual nº 16.906/2016, aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), com o objetivo de promover a conscientização, incentivar a amamentação e valorizar essa prática fundamental.

A iniciativa estabeleceu no calendário catarinense um período específico para ampliar as discussões sobre os benefícios do leite materno e a necessidade de políticas públicas que apoiem as mulheres durante o processo de amamentação. No âmbito do Parlamento, a campanha também serve para dar maior visibilidade a ações que vão além da relação entre mãe e filho, como o trabalho desempenhado pelos bancos de leite humano.

Esses bancos desempenham um papel crucial na coleta, no processamento e na distribuição do leite doado para bebês que estão hospitalizados, especialmente prematuros e recém-nascidos que precisam de cuidados neonatais. No Brasil, o mês do Aleitamento Materno foi oficializado pela Lei Federal nº 13.435/2017, que determina a intensificação de ações educativas e de esclarecimento durante agosto. A cor dourada simboliza o “padrão ouro” de qualidade do leite humano.

Na Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, o Banco de Leite Humano desenvolve um trabalho que aproxima ainda mais as doadoras da rede de atendimento. Mulheres que produzem leite em quantidade superior à necessidade de seus próprios filhos podem entrar em contato com a unidade e receber orientação e os materiais necessários para realizar a coleta em casa, como frascos de vidro, touca, máscara e itens de higiene. Depois, a equipe retorna à residência da doadora para recolher o leite.

“Hoje, a doadora que está em casa, uma mulher que amamenta e produz mais leite do que a necessidade do seu bebê, pode entrar em contato com o banco de leite mais próximo da sua região”, explica a enfermeira Cecília Mello, responsável pelo Banco de Leite da Maternidade Carmela Dutra. O volume doado varia de mulher para mulher. Algumas conseguem doar cerca de 100 a 200 mililitros, enquanto outras chegam a doar litros ao longo do processo. Na Carmela Dutra, conforme Cecília, o banco mantém cerca de 60 a 70 doadoras ativas por mês. Para os bebês internados, entretanto, mesmo pequenas quantidades podem representar uma contribuição significativa. “Uma pequena quantidade de leite, como 10 ou 15 mililitros, já consegue alimentar às vezes várias crianças”, destaca a enfermeira.

A importância da doação se torna ainda mais evidente nas unidades neonatais. Na Maternidade Carmela Dutra, o leite humano é priorizado para os bebês internados, seja o leite da própria mãe ou aquele proveniente do banco de leite. De acordo com Cecília, a disponibilidade de leite doado permite reduzir a necessidade de utilização de fórmulas infantis na unidade. A enfermeira explica que o leite humano vai além do fornecimento de nutrientes. Por ser um alimento vivo, contém componentes que contribuem para a proteção do organismo do bebê, aspecto especialmente importante para recém-nascidos prematuros e de baixo peso. “Ele tem muitas substâncias que podem proteger essa criança”, afirma.

Para Cecília, que trabalha há quase dez anos na instituição, participar desse processo é motivo de satisfação. Ela destaca também o vínculo construído entre as doadoras e a maternidade. “É muito gratificante trabalhar com as doadoras porque elas são pessoas muito especiais. Elas doam com muito carinho esse leite.”

Entre as mulheres que transformaram a própria experiência em um gesto de solidariedade está Carina Oliveira, doadora do Banco de Leite da Maternidade Carmela Dutra. Sua história começou em um momento de profundo sofrimento. No dia em que perdeu o filho Apolo, que tinha apenas um ano e oito meses, descobriu que estava grávida novamente. Com a chegada da filha, ela passou a produzir mais leite do que Marisol conseguia consumir. Foi então que uma reportagem sobre a importância da doação de leite humano despertou nela a decisão de procurar o banco de leite.

“Foi em um momento de dor que eu queria transformar um pouco dessa dor em amor, em um ato de amor”, conta. Carina entrou em contato com a maternidade e iniciou o processo de doação. Desde então, há cerca de dez meses, divide com outros bebês o leite que produz. Para ela, o gesto ganhou um significado especial diante da experiência vivida. “Eu me sinto muito feliz. O espírito fica mais forte, sou muito grata a Deus por me ajudar. Me faz muito bem esse ato de doação, em saber que eu tô ajudando outra criança, o coração fica cheio de alegria, graças a Deus.”

A relação com a filha também faz parte dessa experiência. Carina considera que a doação é uma jornada compartilhada entre as duas. “Essa jornada não é só minha, é dela também. Tem um pouquinho da Marisol, um pouquinho da mamãe e a gente ajuda outros bebês”, diz.

Ao falar sobre o significado do leite materno, Carina resume a experiência em três palavras: “Amor, doação, Deus.” Para ela, a maternidade também está relacionada à capacidade de seguir em frente mesmo diante das adversidades. “Mãe é vida, é esperança de um momento melhor, uma vida melhor, um mundo melhor. Mãe é esperança em não desistir, resiliência”, afirma a doadora.

Fonte: Assembleia SC

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