SEM DIPLOMACIAArgentina descarta pedido de desculpas ao Brasil após crise com Lula

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O governo argentino, liderado por Javier Milei, não pretende se retratar com o Brasil depois das declarações feitas pelo presidente durante um evento de campanha em São Paulo. A informação foi divulgada pelo jornal argentino La Nación, citando fontes oficiais. Segundo a publicação, a decisão já foi comunicada internamente e não haverá pedido de desculpas por parte de Milei ou do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi.

A crise teve início no sábado, 25, quando Milei participou da convenção do Partido Liberal (PL) que lançou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil. Em um discurso de cerca de 30 minutos, ele criticou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “presidiário” e “ladrão”, embora sem citar o nome diretamente. Também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem se referiu como “lixo careca”, em referência à decisão que impediu uma visita de Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para transmitir a insatisfação do governo brasileiro. Além disso, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado de volta para consultas. O Ministério das Relações Exteriores classificou as declarações de Milei como “agressões” e afirmou que não há precedentes para um caso em que um presidente estrangeiro, em solo nacional, profira ofensas ao chefe de Estado e a instituições democráticas.

Apesar da convocação do embaixador argentino, o governo brasileiro não cogita medidas mais severas, como o rompimento das relações diplomáticas ou a expulsão de representantes. Segundo fontes do La Nación, a postura de Buenos Aires é de não se desculpar, e a crise deve se aprofundar. O jornal ainda citou diplomatas e especialistas de ambos os países, que consideram este o maior abalo nas relações bilaterais dos últimos cinquenta anos.

Durante o evento, Milei também defendeu que o Brasil se livre do que chamou de “risco Lula” e abandone a “submissão ao esquerdismo”. Ele apoiou abertamente a candidatura de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente. A fala ocorreu em um momento de tensão política no Brasil, com o ex-presidente Jair Bolsonaro sob prisão domiciliar e investigações em andamento no STF.

O Itamaraty, em comunicado, expressou “repulsa” às ofensas e cobrou explicações formais do governo argentino. A convocação do embaixador Raimondi foi vista como um gesto diplomático forte, mas dentro dos limites do protesto formal. Analistas apontam que a crise pode afetar acordos comerciais e a cooperação entre os dois países, que são os maiores da América do Sul.

A reação do governo Lula foi contida até o momento, mas a diplomacia brasileira sinalizou que não aceitará novas provocações. Enquanto isso, na Argentina, a oposição criticou Milei por colocar em risco a relação com o principal parceiro comercial do país. O episódio gerou ampla repercussão na imprensa internacional, com destaque para o tom agressivo do discurso de Milei.

Em Buenos Aires, o governo insiste que não houve intenção de ofender o Brasil, mas sim de expressar uma visão política. No entanto, a falta de retratação sugere que a crise deve persistir. A situação coloca em xeque a política externa do novo governo argentino, que tem demonstrado alinhamento com líderes de direita na região.

Fonte: Jovem Pan

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