O Hospital Municipal São José, em Joinville, está promovendo uma série de ações durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos. O objetivo é sensibilizar a comunidade sobre a importância desse gesto solidário, que pode transformar a dor do luto em esperança para outras pessoas.
A enfermeira Liliani Azevedo, coordenadora da Comissão Hospitalar de Transplantes da unidade, ressalta que acompanhar as famílias nesse momento delicado é uma experiência marcante. Ela afirma que a doação de órgãos é um dos maiores atos de amor, pois permite que outras vidas sejam salvas mesmo diante de uma perda irreparável.
Um exemplo inspirador é o da aromaterapeuta Débora de Souza Alvin, de 46 anos, que recebeu um transplante de fígado no hospital em dezembro de 2025. Ela relata que o transplante lhe proporcionou uma vida nova e que, sem ele, estaria apenas sobrevivendo, sem qualidade de vida.
Débora começou a enfrentar problemas de saúde em 2024, devido à doença policística, uma condição genética hereditária. Os sintomas iniciais incluíam fadiga extrema, falta de apetite, perda de peso e dores intensas. Em certo momento, ela desmaiou enquanto cuidava do filho pequeno e decidiu retornar ao Brasil para investigar a fundo o que estava acontecendo.
Após exames em Joinville, descobriu que o fígado havia aumentado tanto que ocupava todo o abdômen, e ela precisaria de um transplante. Débora encarou o processo com determinação, pois desejava voltar a ter uma vida ativa ao lado dos três filhos.
Ela já conhecia a realidade do transplante, pois sua mãe e sua irmã, que também têm a doença policística, passaram por transplantes de rim. Isso lhe deu mais segurança para enfrentar a espera de sete meses na fila por um novo fígado.
A ligação decisiva veio na madrugada de 2 de dezembro. Ao mesmo tempo em que celebrava a oportunidade, Débora pensava na dor da família do doador. Ela expressa profunda gratidão e pede bênçãos para essa família, destacando que um único doador pode salvar inúmeras vidas.
Após a cirurgia, Débora seguiu com acompanhamento médico e, desde maio deste ano, recuperou completamente a saúde, podendo desfrutar plenamente da convivência com os filhos, o marido, a mãe e as irmãs.
Ela faz um apelo para que as pessoas superem preconceitos sobre a doação de órgãos e conversem com seus familiares sobre o desejo de serem doadoras. Segundo Débora, essa atitude generosa permite que uma parte de quem partiu continue viva, abençoando muitas outras famílias.
O Hospital São José é referência nacional e pioneiro em Santa Catarina em transplantes. Todos os procedimentos são regulados pela Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina (SC Transplantes). O primeiro transplante renal de Joinville foi realizado na unidade em 1978, e hoje ela também realiza transplantes de fígado e córneas.
Além disso, o hospital é destaque na captação de múltiplos órgãos, incluindo coração, pulmão, fígado, rins, córneas e pâncreas. Somente neste ano, a instituição captou órgãos de 14 pacientes com morte cerebral, beneficiando diversas pessoas com 26 rins, 12 fígados, um pâncreas e 76 córneas.
A enfermeira Liliani reforça que a doação de órgãos é um ato de amor e que é fundamental que as pessoas comuniquem suas intenções aos familiares, facilitando a decisão em um momento tão difícil.
A doação de órgãos só é possível em casos de morte cerebral, geralmente causada por traumatismo craniano ou AVC. O diagnóstico é confirmado após uma série de testes que atestam a ausência de atividade cerebral. Nesses casos, a autorização para doar deve ser dada pelos familiares de primeiro grau: pais, mães, filhos, irmãos ou cônjuges. Por isso, a conversa antecipada sobre o assunto é tão importante.
Liliani orienta que as pessoas expressem suas vontades, as chamadas ‘diretivas antecipadas’, para que, em caso de morte cerebral, possam partir salvando outras vidas.
Fonte: Pref. Joinville




















