O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), iniciou nesta terça-feira (21) a Operação Janus, voltada a desmantelar uma rede de operadores financeiros suspeitos de colaborar com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as autoridades, estão sendo executados 18 mandados de prisão preventiva e outros 18 de busca e apreensão, todos expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. A nova fase investigativa decorre das apurações das Operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas.
De acordo com o MPSP, os investigados são acusados de realizar a conversão de valores em espécie para transferências bancárias, além de ocultar, circular e disponibilizar recursos em prol de membros e colaboradores da facção criminosa. O esquema envolvia a entrega de grandes volumes de dinheiro vivo e a utilização de empresas e contas de terceiros para movimentar os valores.
As investigações indicam ainda que os suspeitos participavam de reuniões para resolver disputas patrimoniais submetidas a integrantes da organização, encontros que os investigadores classificam como uma espécie de tribunal do crime. Essas reuniões serviam para arbitrar conflitos financeiros dentro da estrutura do PCC.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares patrimoniais, incluindo bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras, indisponibilidade de imóveis e veículos, e sequestro de bens dos investigados. O bloqueio de ativos financeiros das pessoas físicas foi fixado em até R$ 10 milhões por investigado.
Também foram autorizadas constrições contra pessoas jurídicas apontadas como parte da estrutura financeira apurada pela investigação. As ordens judiciais estão sendo cumpridas com apoio do Comando de Policiamento de Choque (CPChq), que mobilizou 57 policiais militares e 19 viaturas das unidades ROTA, 3º BPChq e COE.
O nome da operação remete a Janus, divindade romana associada a transições e passagens, em alusão ao papel dos alvos de fazer a ponte entre o dinheiro em espécie e o sistema financeiro formal.
Fonte: Jovem Pan


















