O governo paraguaio tomou uma medida diplomática firme nesta quinta-feira ao convocar o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho. A ação ocorre em resposta a comentários feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o conflito histórico entre os dois países.
O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, anunciou a convocação como um gesto de repúdio às declarações de Lula. O embaixador brasileiro deverá comparecer a uma reunião na sexta-feira ao meio-dia com o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, ocasião em que receberá uma nota diplomática oficial.
Lezcano informou ainda que Lula e o presidente paraguaio, Santiago Peña, conversaram por telefone sobre o incidente. O chanceler afirmou que o Paraguai manterá sua posição firme diante das falas do mandatário brasileiro, destacando que a dignidade do país não está em negociação.
O episódio teve origem em um discurso de Lula no dia 24 de julho, em Jacareí (SP), quando ele defendeu maiores investimentos nas Forças Armadas brasileiras. Na ocasião, o presidente mencionou a invasão do Paraguai ao Brasil, Uruguai e Argentina, afirmando que o conflito se estendeu por cinco anos.
Lula disse: ‘Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos.’ A declaração gerou forte reação no país vizinho.
Parlamentares paraguaios também se manifestaram contra as palavras de Lula. O presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, classificou o conflito como a maior tragédia da história paraguaia e um genocídio no continente, criticando a leveza com que Lula teria tratado o tema.
O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, reconheceu que a fala tocou em um ponto sensível da memória nacional, mas defendeu que as relações entre Brasil e Paraguai devem continuar se fortalecendo com base no respeito mútuo e no diálogo franco.
O deputado oposicionista Rubén Rubín acusou Lula de tentar reescrever a história conforme seus interesses. Já a senadora Esperanza Martínez, da esquerda, considerou as declarações reflexos do imperialismo e de uma política histórica de domínio por parte da elite brasileira.
Fonte: Diário do Brasil Notícias



















