Pesquisa aponta forte predominância da esquerda entre jornalistas brasileiros - GuaraNews
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IMPRENSA E IDEOLOGIAPesquisa aponta forte predominância da esquerda entre jornalistas brasileiros

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A composição ideológica dos jornalistas brasileiros chama atenção pela forte concentração em um mesmo campo político. Dados do estudo “Perfil do Jornalista Brasileiro 2021”, coordenado pela Universidade Federal de Santa Catarina, mostram que 80,7% dos profissionais que responderam à pergunta ideológica se identificaram com a esquerda, centro-esquerda ou extrema-esquerda .

A pesquisa foi destacada pelo Poder360 em janeiro de 2024, ao mostrar que 52,8% se declararam de esquerda, 25,9% de centro-esquerda e 2% de extrema-esquerda. No campo oposto, centro-direita, direita e extrema-direita somaram apenas 4%.

O dado se torna ainda mais relevante quando comparado ao levantamento anterior, realizado em 2012.

Naquela pesquisa, cerca de 49% dos jornalistas se identificaram com a esquerda, enquanto aproximadamente 30% preferiram não se enquadrar em nenhuma posição ideológica.

Uma década depois, a parcela situada no campo da esquerda saltou para 80,7%.

A comparação indica uma mudança importante no perfil político declarado da categoria: cresceu fortemente a identificação com posições de esquerda e diminuiu o contingente que evitou se posicionar ideologicamente.

É preciso cautela, porque as duas pesquisas foram realizadas em contextos políticos distintos e a forma como os profissionais se identificam também podem mudar conforme o ambiente social.

Ainda assim, a diferença é significativa demais para ser ignorada.

Os recortes estaduais reforçam a tendência. Considerando apenas a categoria “esquerda”, os percentuais chegam a 63% no Ceará, 59,3% no Rio de Janeiro, 55,7% em Minas Gerais, 55,1% na Bahia e 52,9% em São Paulo.

No Rio Grande do Sul são 50,6%, em Santa Catarina 48,7%, no Distrito Federal 47% e no Paraná 41,4%.

Esses números não permitem concluir automaticamente que a imprensa brasileira seja parcial ou que os jornalistas pratiquem militância partidária nas redações.

Preferência pessoal e atuação profissional não são necessariamente a mesma coisa.

Mas uma concentração ideológica crescente pode diminuir a diversidade de perspectivas apresentadas no processo de produção das notícias.

A influência pode ocorrer de maneira sutil: na escolha das pautas, das fontes, dos especialistas e no enquadramento atribuído aos acontecimentos.

Muitas vezes, nem sequer existe uma decisão consciente de favorecer determinada visão.

O profissional simplesmente interpreta como natural aquilo que sua formação intelectual, ambiente profissional e referências culturais ensinaram a considerar prioritário.

Por isso, a evolução registrada entre 2012 e 2021 acrescenta um elemento importante ao debate.

A questão não é saber se jornalistas possuem ideologia.

É perguntar se uma categoria que passou de aproximadamente metade para mais de oito em cada dez profissionais identificados com o mesmo campo político mantém diversidade interna suficiente para confrontar suas próprias convicções.

No jornalismo, a pluralidade não deveria significar apenas ouvir os dois lados depois que a pauta está pronta.

Deveria começar dentro da própria redação, antes mesmo de decidir qual história merece ser contada e de que maneira ela será apresentada ao público.

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