Os vereadores Emerson Flores (PSD), Cristiana Poltronieri Ziehlsdorff (PL), Ademir Hubert (PL), Jocinei Borba (PL) e Marildo Erthal (União Brasil) apresentaram indicação conjunta solicitando que o município realize as tratativas necessárias junto ao Governo de Santa Catarina para viabilizar a vinda da Unidade Móvel de Saúde da Mulher a Guaramirim.
A iniciativa busca ampliar a capacidade de atendimento às mulheres do município, especialmente na realização de exames que hoje dependem da rede de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) e que podem representar períodos de espera para as pacientes.
“São realizadas ultrassonografias, mamografias, exames preventivos e orientações também neste espaço, ajudando a aliviar as filas de exames cadastrados nos sistemas de saúde”, destacou o vereador Emerson Flores ao justificar a proposta.

A solicitação dos parlamentares encontra respaldo no próprio planejamento da Secretaria de Estado da Saúde.
Guaramirim já consta no roteiro anunciado pelo Governo do Estado para receber uma das Carretas da Saúde da Mulher durante a passagem do serviço pela Região de Saúde do Vale do Itapocu. Em fevereiro, a Secretaria Estadual de Saúde informou que uma das unidades, depois de passar por municípios de outras regiões catarinenses, seguiria posteriormente para Canoinhas, Guaramirim e Joinville.
A indicação dos vereadores ganha importância, portanto, para reforçar a articulação institucional com o Estado, garantir a confirmação do cronograma e preparar o município para receber a estrutura e aproveitar ao máximo a capacidade oferecida pelo programa.
Guaramirim tem previsão de 355 exames
A regulamentação oficial do programa traz um dado ainda mais significativo para o município.
A Deliberação 793/CIB/2025, da Comissão Intergestores Bipartite de Santa Catarina, estabeleceu a distribuição da capacidade das carretas entre os municípios de acordo com a população de cada região.
Para a Região de Saúde do Vale do Itapocu estão previstos 1.440 exames de mamografia e 1.080 ultrassonografias de mama.
Desse total, a previsão destinada especificamente a Guaramirim é de 203 mamografias e 152 ultrassonografias, considerando a população utilizada pelo Estado no cálculo da distribuição. São, portanto, 355 procedimentos que podem beneficiar diretamente as mulheres guaramirenses.
Jaraguá do Sul, Barra Velha, Corupá, Massaranduba, São João do Itaperiú e Schroeder também integram a mesma região de saúde e possuem cotas previstas no programa.
A possibilidade de instalar a unidade em Guaramirim também pode representar uma facilidade logística para as pacientes do município, reduzindo deslocamentos para outras cidades e concentrando um grande número de atendimentos em determinado período.
Como funciona a Carreta da Saúde da Mulher
O programa foi criado pelo Governo de Santa Catarina dentro das ações de promoção, prevenção e diagnóstico precoce na saúde feminina.
Duas unidades móveis percorrem as 17 Regiões de Saúde de Santa Catarina, permanecendo, de acordo com a regulamentação, pelo menos 45 dias em cada região. As carretas possuem capacidade prevista de realizar 32 mamografias e 24 ultrassonografias de mama por dia. Ao final do programa, a previsão estabelecida pelo Estado é de 24.480 mamografias e 18.360 ultrassonografias mamárias.
O investimento estadual informado para as duas unidades é de aproximadamente R$ 18 milhões, com previsão de mais de 40 mil exames ao longo do circuito catarinense. Cada carreta dispõe de mamógrafo e aparelho de ultrassom e trabalha com equipe multiprofissional, incluindo médico radiologista, técnico em radiologia e técnico de enfermagem.
A regulamentação estadual prevê formalmente a realização de mamografias e ultrassonografias de mama. Além dos procedimentos, o atendimento permite orientação e encaminhamento das pacientes que necessitem prosseguir a investigação ou tratamento na rede de saúde.
Atendimento não é por livre procura
Outro aspecto importante é que a chegada da carreta não significa atendimento por ordem de chegada de qualquer mulher que compareça ao local.
O programa foi estruturado justamente para atuar sobre as filas existentes no SUS.
Os exames são autorizados e organizados pela Central Estadual de Regulação Ambulatorial (CERA). Primeiro são consideradas as pacientes que já estão na fila estadual; depois, as filas municipais encaminhadas para a regulação estadual, respeitando também eventuais critérios de classificação de risco.
Isso significa que, antes da chegada da carreta, o município tem papel fundamental na organização e atualização de sua própria fila.
A resolução determina que as prefeituras façam a depuração das listas de espera e encaminhem corretamente as pacientes ao sistema estadual de regulação. Dessa forma, mulheres que já aguardam pelos exames podem ser chamadas para realizá-los durante a permanência da unidade móvel na região.
Há ainda uma vantagem importante no fluxo de atendimento: quando uma mamografia realizada na carreta apresentar indicação clínica para complementação com ultrassonografia, a própria equipe pode inserir a paciente em agenda interna para o novo procedimento. Dependendo da situação, a ultrassonografia pode ser realizada no mesmo dia ou a mulher já deixa a unidade com o exame agendado.
Isso reduz etapas entre um exame e outro e pode acelerar a conclusão de uma investigação diagnóstica.
Impacto direto na prevenção
A importância da iniciativa vai além da redução de uma fila administrativa.
A mamografia é uma das principais ferramentas utilizadas para o rastreamento e a detecção precoce do câncer de mama. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) destaca que a identificação da doença em fases iniciais aumenta a possibilidade de tratamentos menos agressivos e de melhores resultados. O órgão também aponta que o rastreamento mamográfico na população-alvo apresenta benefício na redução da mortalidade pela doença.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda prioritariamente o rastreamento mamográfico pelo SUS a cada dois anos para mulheres entre 50 e 74 anos, sem prejuízo das mamografias diagnósticas indicadas pelos profissionais de saúde diante de sintomas, alterações ou situações clínicas específicas.
É justamente nesse ponto que uma estrutura móvel pode produzir um efeito importante.
Cada exame antecipado significa uma mulher a menos aguardando na fila. E, nos casos em que alguma alteração for identificada, significa também a possibilidade de iniciar mais rapidamente a investigação e, quando necessário, o tratamento.
Experiência em outras regiões já mostra capacidade de atendimento
As carretas começaram a circular em outubro de 2025. Em balanço divulgado em fevereiro deste ano, depois da passagem por seis regiões de saúde, o Estado informou que haviam sido agendadas 6.140 mamografias e 2.741 ultrassonografias. Até aquele momento, 3.990 mamografias e 1.728 ultrassonografias haviam sido efetivamente realizadas.
O dado também revelou um desafio: aproximadamente 36% dos exames agendados naquele período tiveram ausência das pacientes. Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde vem reforçando a importância de que as mulheres chamadas compareçam ou comuniquem antecipadamente quando não puderem utilizar a vaga, permitindo o atendimento de outra paciente.
Para Guaramirim, portanto, a chegada da unidade exigirá também planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, atualização das filas e comunicação eficiente com as mulheres que forem convocadas.
Uma oportunidade para reduzir a espera
A indicação apresentada pelos cinco vereadores coloca o tema antecipadamente na agenda do município e reforça a necessidade de diálogo com o Governo do Estado.
Como Guaramirim já está prevista no planejamento estadual como ponto de passagem da Unidade Móvel de Saúde da Mulher, o próximo passo é transformar essa previsão em cronograma definido e estrutura preparada para receber os atendimentos.
Com 203 mamografias e 152 ultrassonografias previstas para pacientes de Guaramirim, a passagem da carreta representa uma oportunidade concreta de atacar parte da demanda reprimida, acelerar diagnósticos e aproximar o atendimento especializado das mulheres do município.
Mais do que trazer uma carreta para a cidade, a medida pode significar diminuir a distância entre a mulher que aguarda um exame e a resposta que ela precisa receber.
E, quando se trata de prevenção e diagnóstico precoce, tempo também é cuidado.




















