Na disputa pelo governo de Santa Catarina, dois candidatos a vice-governador chamam a atenção pelo patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, que ultrapassa o dos próprios cabeças de chapa. Adriano Silva, do Novo, e Carlos Chiodini, do MDB, informaram possuir R$ 22,1 milhões e R$ 26,7 milhões em bens, respectivamente, conforme dados do sistema de registro de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A disparidade em relação aos adversários é evidente. Enquanto esses dois vices acumulam fortunas milionárias, outros candidatos ao mesmo cargo declaram valores bem mais modestos ou até mesmo a ausência de bens. A situação foi revelada nas declarações entregues à Justiça Eleitoral, que são públicas e podem ser consultadas por qualquer cidadão.
Carlos Chiodini, que compõe a chapa com João Rodrigues, do PSD, teve um salto patrimonial significativo nos últimos dois anos. Em 2024, quando concorreu à prefeitura de Itajaí, ele declarou possuir R$ 892.879,46. Agora, em 2026, o valor saltou para R$ 26,7 milhões, um crescimento de cerca de 30 vezes.
De acordo com a assessoria de comunicação de Chiodini, o aumento expressivo está diretamente ligado a uma herança deixada por seu pai, o empresário Angelo Alberto Chiodini, falecido em agosto de 2024, aos 69 anos. Angelo foi fundador da rede de postos Mime e da distribuidora de combustíveis Agricopel. Carlos, como um dos herdeiros, recebeu parte desse patrimônio, o que justifica a evolução em seus bens.
Entre os itens que compõem o patrimônio de Chiodini estão participações em fundos de investimentos, que somam R$ 6,2 milhões, e outras aplicações financeiras, que chegam a R$ 10 milhões. Ele também é proprietário de um apartamento na Praia Brava, em Itajaí, avaliado em R$ 178 mil, e de outro no Centro de Florianópolis, no valor de R$ 2 milhões. Além disso, possui quotas em empresas que totalizam R$ 7,8 milhões, um veículo Mercedes Benz Gle no valor de R$ 347 mil, e uma fração de 25% sobre 11 fusquinhas, avaliada em R$ 21,8 mil.
Adriano Silva, por sua vez, que concorre como vice na chapa de Jorginho Mello, do PL, também registrou um crescimento patrimonial. Em 2024, quando foi eleito prefeito de Joinville, ele declarou R$ 16,27 milhões em bens. Neste ano, o montante subiu para R$ 22,15 milhões, um incremento de 36,7%.
A assessoria de Adriano explicou que a evolução decorre dos rendimentos de seus investimentos privados e da distribuição de dividendos da empresa familiar. A nota também esclarece que, conforme a legislação eleitoral, o valor total declarado inclui os bens de seus dependentes, o que contribui para o montante apresentado.
A lista de bens de Adriano Silva é extensa e inclui desde veículos de luxo até embarcações e terrenos. Ele tem um carro GWM Wey 07, no valor de R$ 429 mil, e outro veículo automotor avaliado em R$ 380 mil. Possui ainda uma casa em sociedade com Bianca (35,14% dele), avaliada em R$ 614,8 mil, e outra casa (64,86% dele) no valor de R$ 1,135 milhão. As aplicações de renda fixa, como CDBs e RDBs, somam cerca de R$ 4,7 milhões, e ele também tem dinheiro em espécie: R$ 29 mil.
A embarcação é outro destaque: uma embarcação da qual detém 79%, avaliada em R$ 850 mil, e outra, com 21% em sociedade, no valor de R$ 225 mil. Terrenos, quotas de capital em empresas e saldos de mútuo completam o cenário, evidenciando um patrimônio diversificado.
Quando se compara esses dois vices com os demais candidatos ao cargo, a diferença é ainda mais acentuada. Coronel Rodrigues, do partido Missão, que compõe a chapa com Marcelo Brigadeiro, declarou R$ 601.080,63. Angela Albino, do PDT, que está com Gelson Merísio, do PSB, informou possuir R$ 343.416,77.
Já Carlos Bordin, do Solidariedade, Flávio Amaral, do PCO, Nathália Melo, da UP, e Professora Taty, do PSTU, declararam não possuir bens. Eles informaram ao TSE que não têm patrimônio a declarar, o que contrasta fortemente com os valores milionários apresentados por Silva e Chiodini.
Mesmo com esses números expressivos, ambos não aparecem no topo da lista dos candidatos mais ricos de Santa Catarina. O ranking é liderado por Antídio Lunelli, do MDB, candidato a senador e ex-prefeito de Jaraguá do Sul, que declarou R$ 613,2 milhões. Ele é dono de uma das maiores empresas têxteis do país, além de outros negócios, como frigorífico, fazenda e criação de gado e suínos, que empregam cerca de 5,2 mil pessoas.
Em seguida, aparecem outros nomes com patrimônios igualmente vultosos. Nilso Berlanda, do PSD, candidato a deputado estadual, tem R$ 79,6 milhões. Dalton Lueders, do PP, também postulante a deputado estadual, declarou R$ 59,8 milhões. Celso Mattiolo, do PP, possui R$ 38,2 milhões, e Marcio Tinte, do União, R$ 31,4 milhões. Carlos Chiodini ocupa a sexta posição, e Adriano Silva, a sétima.
Outros candidatos também figuram nessa lista seleta, como Carlos Humberto, do PL, com R$ 18,2 milhões; Andrey Tomazi, do PL, com R$ 15,1 milhões; e Odair Tramontin, do Novo, com R$ 14,6 milhões. Esses números reforçam um cenário em que o patrimônio pessoal se tornou um tema relevante no debate eleitoral.
Os dados foram extraídos do sistema do TSE e estão disponíveis para consulta pública. A divulgação do patrimônio é uma exigência legal para todos os candidatos, com o objetivo de dar transparência ao processo eleitoral e permitir que o eleitor conheça o perfil econômico daqueles que pleiteiam cargos públicos.
Em Santa Catarina, o tema tem gerado discussões acaloradas, especialmente porque os valores declarados por alguns candidatos a vice-governador superam os dos seus próprios cabeças de chapa. Enquanto isso, a população acompanha de perto essas informações para decidir seu voto de forma consciente.
Ajustes no texto e a organização dos dados foram feitos com base nas informações oficiais do TSE. A relação completa de bens de cada candidato pode ser acessada no site da Justiça Eleitoral, onde é possível verificar detalhes como a natureza de cada bem e sua avaliação.
Com a proximidade do pleito, a expectativa é que novas revelações venham à tona, ampliando o escrutínio público sobre os candidatos. A legislação eleitoral prevê punições para quem omite informações ou declara dados falsos, o que reforça a importância de uma análise criteriosa por parte dos eleitores.
A participação de empresários e herdeiros de grandes fortunas na política não é novidade, mas o caso catarinense chama atenção pela magnitude dos números. Adriano Silva e Carlos Chiodini, com seus milhões, agora têm seus nomes ligados a essa lista, o que pode influenciar a percepção do eleitorado sobre suas campanhas.
Especialistas em direito eleitoral lembram que a declaração de bens é um ato formal e que os valores apresentados são de responsabilidade dos candidatos. Qualquer inconsistência pode ser questionada, e a Justiça Eleitoral tem mecanismos para apurar possíveis irregularidades.
Assim, enquanto a campanha avança, o patrimônio declarado se torna um dos muitos fatores que os eleitores catarinenses consideram ao escolher seus representantes. A transparência, nesse sentido, é uma ferramenta essencial para fortalecer a democracia e garantir que as decisões sejam tomadas com base em dados concretos.
Fonte: NSC Total





















