AJUSTANCO A ECONOMIAEconomia argentina mostra sinais mistos entre recuperação e retração

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Desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina, suas políticas econômicas têm recebido elogios de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI). O Banco Mundial, por sua vez, projeta um crescimento de 3,6% para o país em 2026, um ritmo superior à média da América Latina.

No entanto, os dados mais recentes indicam que a recuperação ainda enfrenta obstáculos. O Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) divulgou que a atividade econômica encolheu 0,5% em maio, marcando o segundo mês consecutivo de queda.

Na comparação com maio do ano anterior, o avanço foi de apenas 0,2%, abaixo das expectativas do mercado. O resultado contrasta com as previsões e sugere que o ajuste fiscal ainda não gerou os efeitos esperados em todos os setores.

O crescimento tem sido puxado sobretudo pelos segmentos voltados à exportação. A agricultura se recuperou após a forte seca de 2023, enquanto a mineração ganhou impulso com a expansão da produção de petróleo e gás na região de Vaca Muerta e o aumento da extração de lítio.

No ano passado, a produção agrícola registrou alta de 32,2%, e a atividade ligada ao petróleo cresceu 13%. A mineração como um todo avançou 3,3%, com destaque para o lítio, cuja produção saltou mais de 40%.

Entre janeiro e maio, as exportações argentinas totalizaram R$ 205,2 bilhões, um aumento de 24,3% em relação ao mesmo período de 2024. Outro marco importante foi a transformação do país em exportador líquido de energia.

A Argentina passou de um déficit energético de R$ 1,3 bilhão em 2023 para um superávit de R$ 39,6 bilhões em 2025, impulsionado principalmente pela maior produção de petróleo e gás. Esse movimento fortaleceu as reservas internacionais do Banco Central e reduziu o risco-país de cerca de 1.900 pontos para 400 pontos.

A agência de classificação de risco Moody’s elevou a nota da Argentina, acompanhando outras grandes agências internacionais. Por outro lado, a indústria de transformação, o comércio varejista e parte da construção civil continuam sofrendo com a queda na demanda das famílias e o impacto do ajuste fiscal.

Desde dezembro de 2023, o governo Milei implementou um programa de austeridade baseado em cortes de gastos públicos, eliminação de subsídios, desregulamentação da economia e controle mais rígido da política monetária. Essas medidas contribuíram para uma forte desaceleração da inflação, que caiu de 211% em 2023 para cerca de 31% em 2025. A expectativa do mercado é que o índice permaneça próximo desse patamar em 2026.

Apesar da queda da inflação, muitos argentinos ainda não sentem melhora no dia a dia. O aumento das tarifas de energia, transporte e outros serviços reduziu o poder de compra. Pesquisas privadas indicam que os gastos do consumidor caíram nos primeiros meses do ano, enquanto indicadores de arrecadação e importações também apontam para uma demanda doméstica enfraquecida.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

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