Vídeos que circulam amplamente nas redes sociais mostram grupos numerosos de marroquinos desembarcando nas areias de Ceuta, território espanhol no norte da África. As imagens capturam o momento em que os imigrantes gritam “Viva Espanha” ao pisar na praia.
Ceuta é uma cidade autônoma que faz fronteira terrestre com Marrocos e representa um dos poucos pontos de entrada da União Europeia no continente africano. Por sua localização estratégica, a região atrai há décadas migrantes que buscam chegar à Europa.
A crise atual foi desencadeada por uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha, que proibiu a devolução imediata de pessoas que entram no país nadando sem romper fisicamente a cerca fronteiriça. Com isso, o processo de deportação tornou-se mais lento e burocrático.
Nas últimas duas semanas, cerca de 300 marroquinos por dia chegaram por mar, elevando o total de entradas ilegais para aproximadamente 2 mil pessoas. As autoridades locais afirmam que a situação já superou a capacidade de resposta.
As cenas registradas na praia de Tarajal mostram imigrantes utilizando boias, nadadeiras e roupas de neoprene para fazer a travessia. Em diversos momentos, agentes da Guarda Civil espanhola não conseguiram conter o fluxo de pessoas.
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, declarou que o centro de acolhimento local opera acima de sua capacidade há vários dias, com centenas de migrantes aguardando atendimento. Ele afirmou que a situação já provocou um colapso na estrutura de recepção.
Segundo o Ministério do Interior espanhol, redes criminosas de tráfico de pessoas estão explorando a brecha judicial para incentivar as travessias. As organizações teriam identificado que a devolução se tornou mais difícil e passaram a divulgar a rota.
Diante da pressão, Vivas solicitou ao governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez que decretasse estado de emergência nacional. No entanto, o Executivo recusou o pedido, alegando que a legislação espanhola não prevê esse mecanismo para crises migratórias.
Enquanto isso, Espanha e Marrocos anunciaram um novo acordo para acelerar a devolução dos migrantes. A proposta prevê reforço na coordenação bilateral e revisão dos procedimentos de identificação e entrega, mas ainda não há calendário definido para a implementação.
Fonte: Brasil Paralelo Notícias



















