O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (05), reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime, com todos os nove integrantes votando a favor do corte de 0,25 ponto percentual.
Essa é a quarta redução consecutiva no ciclo de afrouxamento monetário iniciado em março, quando a taxa começou a cair. Desde então, a Selic acumula uma queda de um ponto percentual.
Antes desse movimento, os juros permaneceram em 15% ao ano por dez meses, entre junho de 2025 e março de 2026, um patamar que não era visto há cerca de duas décadas.
Na justificativa para a nova redução, o Banco Central citou uma moderação gradual da atividade econômica, mas ressaltou que a economia ainda se mostra resiliente e o mercado de trabalho continua aquecido.
A inflação cheia desacelerou nas últimas medições, mas segue acima do teto da meta. O Copom mencionou que os indicadores que medem a tendência da inflação também mostram desaceleração.
Apesar do corte, o BC reforçou que manterá uma postura cautelosa e que a magnitude total do ciclo será definida com base em novas informações, para garantir a convergência da inflação à meta.
As projeções do mercado, levantadas pela pesquisa Focus, indicam inflação de 5% em 2026 e 4,2% em 2027, ainda acima do alvo. O cenário de referência do próprio Copom projeta IPCA de 5,1% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.
Entre os riscos para a alta dos preços, o BC listou expectativas de inflação desancoradas, impactos do petróleo, efeitos climáticos na agricultura e energia, inflação de serviços resistente, câmbio depreciado e estímulos que possam elevar o consumo além do esperado.
O cenário internacional também preocupa, especialmente as incertezas sobre os conflitos no Oriente Médio e a política monetária de países desenvolvidos. Isso tem gerado volatilidade nos preços de ativos e commodities, o que exige cautela adicional para emergentes como o Brasil.
O Banco Central também afirmou que continuará monitorando os efeitos da política fiscal sobre a inflação, os juros e os ativos financeiros.
O Copom não sinalizou o tamanho dos próximos cortes, citando o aumento significativo da incerteza e a necessidade de avaliar os dados até as próximas reuniões.
Votaram a favor da redução o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
Fonte: ND+





















