ECONOMIAGoverno federal é o principal obstáculo para queda maior da Selic, aponta Copom

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O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou na terça-feira (11) a ata de sua última reunião, na qual decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% ao ano para 14% ao ano. A redução, considerada modesta por analistas, foi justificada pelos riscos inflacionários decorrentes da resiliência da atividade econômica em alguns setores e do conflito entre Estados Unidos e Irã, que pode elevar os preços do petróleo.

O Banco Central, no entanto, destacou que o aquecimento econômico não é um fenômeno natural, mas resultado da política fiscal expansionista do governo federal. No parágrafo 7 da ata, a autoridade monetária reconhece que a política fiscal tem efeito de curto prazo sobre a demanda agregada, mas também uma dimensão estrutural capaz de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública, elevando o prêmio de risco na curva de juros.

Especialistas apontam que o governo federal tem ampliado de forma significativa os gastos públicos, tanto por meio do aumento de despesas quanto pela concessão de crédito subsidiado, com o objetivo de estimular a economia. Essa estratégia, no entanto, pressiona a demanda por bens e serviços, gerando um descompasso com a capacidade produtiva do país, o que acaba se refletindo em pressões inflacionárias.

O crédito subsidiado, em particular, opera com taxas muito abaixo da Selic, o que, na prática, isola os setores beneficiados dos efeitos da política monetária restritiva. Esse mecanismo dificulta o trabalho do Banco Central, que se vê obrigado a manter juros mais altos para conter a inflação, mesmo com a economia em desaceleração.

Portanto, a elevada taxa de juros no Brasil não é uma escolha do Banco Central, mas uma consequência direta da política fiscal do governo federal, que, ao priorizar estímulos para acelerar o crescimento do PIB a qualquer custo, inclusive com olhos nas eleições, ignora os impactos sobre a estabilidade da moeda. O Copom, ao decidir os juros, apenas reage ao cenário inflacionário criado pelo próprio governo.

Fonte: Jovem Pan

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