Uma ação voluntária coordenada pelo designer Ed Lima, do estúdio Azzu, está levando mobilidade a crianças com deficiência de famílias carentes por meio da impressão 3D. O projeto, que nasceu em Minas Gerais, adapta cadeiras de rodas infantis de acordo com as necessidades de cada pequeno usuário, eliminando o custo do equipamento para quem não pode arcar com os valores praticados no mercado.
O alto preço das cadeiras tradicionais – que pode variar de R$ 1.500 a R$ 20.000 – é uma barreira significativa para lares com poucos recursos. A solução encontrada pelo voluntário foi produzir peças personalizadas com tecnologia de fabricação digital, o que reduz drasticamente o valor final e torna o item acessível a famílias em situação de vulnerabilidade.
Para expandir o alcance da iniciativa, Ed Lima abriu uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Vakinha com meta de arrecadar R$ 12.500. O montante será usado na aquisição de três novas impressoras 3D do modelo P1S, além de filamentos – matéria-prima essencial para a produção das cadeiras. Com esse reforço no maquinário, a previsão é aumentar o número de unidades fabricadas por semana.
O equipamento foi desenhado especialmente para atender crianças entre 1 e 8 anos, com peso máximo de 23 quilos. Cada detalhe foi pensado para garantir conforto, segurança e autonomia no dia a dia, como explica Ed Lima em vídeos divulgados nas redes sociais.
Entre os itens de segurança estão cinto peitoral, cinto de cintura e um suporte ajustável com retenção para os pés. O assento e o encosto são totalmente almofadados, e o encosto de cabeça pode ser regulado em altura, proporcionando maior ergonomia para cada criança.
A cadeira também vem com uma mesa removível acoplada, que pode ser útil para atividades de alimentação e lazer, e um compartimento traseiro com cinto para guardar pertences pessoais, como brinquedos ou itens de higiene.
Um dos diferenciais do projeto é que até os pneus são fabricados em material impresso em 3D. Eles possuem estrutura maciça e são livres de furos, o que dispensa manutenção frequente e garante maior durabilidade em diferentes terrenos.
Para solicitar uma cadeira gratuitamente, a família precisa estar cadastrada em programas de assistência social e apresentar o Número de Identificação Social (NIS), além de comprovante de recebimento de auxílio governamental. O pedido deve ser feito por meio de um formulário digital disponível no perfil oficial do projeto no Instagram.
Após a análise do formulário, o voluntário entra em contato por e-mail para alinhar detalhes, como a cor preferida do equipamento. O processo garante que o benefício chegue prioritariamente a quem mais precisa, evitando desvios e assegurando transparência na distribuição.
Famílias que não se enquadram nos critérios sociais também podem participar do projeto, mas de forma diferente: elas podem enviar o insumo necessário para a fabricação da cadeira, ou seja, os filamentos, e o projeto monta o equipamento sem cobrar pela mão de obra.
Um ponto que exige atenção é o frete. Ed Lima não dispõe de recursos para arcar com o custo do envio, por isso as famílias contempladas podem precisar ajudar com o valor do transporte ou organizar uma vaquinha entre amigos e conhecidos para cobrir essa despesa.
Além da campanha para a compra de novas impressoras, o projeto também levanta fundos de forma individual para custear o material de cada unidade produzida. Dessa forma, a entrega pode continuar sendo feita sem nenhum custo para as famílias cadastradas.
A ideia de usar impressão 3D para criar equipamentos de assistência não é exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, o adolescente Zac Waters, de 13 anos, dedicou cerca de 300 horas para projetar e fabricar uma cadeira de rodas personalizada para uma menina de 1 ano e 9 meses.
O projeto de Waters, que ganhou destaque na imprensa local, incluiu espaço para transportar aparelhos médicos pesados, tiras macias e regulagens no apoio de pés e cabeça, permitindo que o equipamento acompanhasse o crescimento da criança. Ele contou com o apoio da organização MakeGood, que atua no desenvolvimento de tecnologia assistiva acessível.
Essas iniciativas mostram como a tecnologia pode ser uma aliada poderosa na inclusão social, oferecendo soluções criativas e de baixo custo para problemas que afetam milhares de famílias. A expectativa de Ed Lima é que, com o apoio da comunidade, o projeto possa atender cada vez mais crianças em todo o território nacional.
As contribuições para a campanha podem ser feitas diretamente na página oficial do Vakinha, aberta por Ed Lima, com valores livres. Qualquer doação, por menor que seja, ajuda a transformar a realidade de uma criança e sua família.
Fonte: ND+




















