A Petrobras e o governo federal enxergam na Margem Equatorial uma alternativa estratégica para compensar o declínio programado das reservas do pré-sal, que, segundo projeções da estatal, começará a ocorrer a partir de 2034.
Na segunda-feira (17.ago.2026), a companhia anunciou a localização de petróleo no Poço Morpho, situado no bloco FZA-M-59, a 175 km da costa do Amapá. Embora ainda não haja confirmação sobre o volume e a viabilidade comercial do achado, a região já é vista com entusiasmo pela diretoria da empresa.
“Se tudo continuar evoluindo como até agora, temos potencial para desenvolver uma área que pode ser fundamental para a recomposição das reservas da Petrobras e do Brasil, especialmente quando a produção do pré-sal começar a cair”, declarou a presidente da companhia, Magda Chambriard, durante entrevista a jornalistas em Oiapoque (AP), após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às instalações da empresa naquela região.
Magda destacou que o pré-sal consolidou o petróleo como o principal item da pauta exportadora brasileira. “Há anos ele é o primeiro produto de exportação do país, e neste ano a tendência é que continue assim”, afirmou.
Os campos do pré-sal, descobertos em 2006 e operacionais desde 2008, respondem hoje por 80% da produção nacional. No entanto, o esgotamento gradual desses recursos preocupa tanto a cúpula da Petrobras quanto o governo federal, que temem que o Brasil possa se tornar importador de petróleo a partir de 2040, caso não haja avanço em novas fronteiras exploratórias.
Nesse contexto, a descoberta na costa do Amapá surge como a principal esperança para sustentar os níveis atuais de produção, que devem atingir um pico de 5,3 milhões de barris por dia em 2030, antes de cair em decorrência do declínio do pré-sal.
De acordo com informações divulgadas pelo Poder360, o governo federal estima que a Margem Equatorial possua um potencial produtivo de pelo menos 41 bilhões de barris de petróleo. “Há petróleo, mas ainda não sabemos a quantidade exata. Esperamos encontrar diversos reservatórios ao longo dessa jornada. Quanto mais, melhor”, comentou Magda.
Próximos passos
A simples presença de petróleo na Margem Equatorial não garante que a área esteja pronta para exploração imediata. A descoberta ainda se encontra em fase exploratória, na qual a empresa perfura poços e realiza análises no subsolo para avaliar a presença, o volume, a qualidade e a viabilidade econômica do reservatório.
Para ampliar as pesquisas em outras áreas, a Petrobras aguarda a autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para perfurar três novos poços na Margem Equatorial.
Desconcentração
Magda Chambriard também defende a exploração da Margem Equatorial como parte de uma estratégia mais ampla da estatal para diversificar os investimentos exploratórios, que historicamente se concentraram na região Sudeste.
A executiva lembrou que presidia a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) durante o processo de licitação da área, que incluiu blocos do Rio Grande do Norte ao Amapá. “O objetivo principal da licitação era integrar essas regiões ao cenário exploratório, pois a atividade estava excessivamente concentrada no Sudeste devido ao pré-sal. Nossa meta era descentralizar os investimentos em benefício do Norte e Nordeste, e é exatamente isso que estamos fazendo agora”, concluiu.
Fonte: Poder360





















