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ECONOMIA69% dos trabalhadores brasileiros ganham até R$ 3.242 por mês

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Um levantamento com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostra que 69,1% da população ocupada no Brasil, cerca de 103,1 milhões de pessoas, recebem até dois salários mínimos por mês, ou seja, até R$ 3.242. O estudo considera o piso nacional de R$ 1.621, vigente no segundo trimestre de 2026.

O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, é o autor do levantamento, que foi divulgado pelo jornal Valor Econômico. A pesquisa aponta que a maior parte dos trabalhadores se concentra na faixa entre um e dois salários mínimos, correspondendo a 36,9% do total.

Além desse grupo, outros 32,2% dos ocupados ganham até um salário mínimo. Juntos, os dois segmentos somam 69,1% da força de trabalho nacional, evidenciando uma base salarial bastante achatada.

A distribuição detalhada dos rendimentos revela que 33,2 milhões de brasileiros recebiam exatamente um salário mínimo entre abril e junho de 2026. O percentual de trabalhadores sem rendimento é de 1,8%, composto principalmente por ajudantes familiares.

Na faixa de renda de até meio salário mínimo, estão 9,4% dos ocupados, o que equivale a R$ 810,50. Entre meio e um salário mínimo, encontram-se 21% dos trabalhadores.

Os trabalhadores que ganham mais de dois salários mínimos representam 30,9% da população ocupada, somando cerca de 31,86 milhões de pessoas. No topo da pirâmide, apenas 1,8% recebem entre 10 e 20 salários mínimos (R$ 16.210 a R$ 32.420), e 0,5% ganham acima de 20 salários (R$ 32.421 ou mais).

Há uma desigualdade regional evidente nos dados. No Nordeste, 55,9% dos ocupados ganham até um salário mínimo, enquanto no Sul esse percentual é de apenas 17,3%, bem abaixo da média nacional de 32,2%.

O Maranhão aparece como o estado com a maior proporção de trabalhadores nessa condição, com 58,5%. Já Santa Catarina tem a menor taxa, com apenas 11,6% dos seus ocupados recebendo até um piso nacional.

No comparativo anual, a proporção de trabalhadores com renda de até um salário mínimo subiu de 30% no primeiro trimestre de 2026 para 32,2% no segundo trimestre. No entanto, esse percentual ainda é menor do que os 33,3% registrados no mesmo período do ano anterior.

A renda média do trabalhador brasileiro é de R$ 3.738, o que corresponde a cerca de 2,3 salários mínimos. Contudo, esse valor médio não reflete a realidade da maioria, pois é influenciado tanto pelos que ganham muito pouco quanto pelos que recebem altos rendimentos.

Especialistas apontam que a linha dos R$ 3.242 mensais separa o mercado de trabalho em dois grupos desiguais, com a grande maioria dos brasileiros presa nas faixas salariais mais baixas.

O economista Bruno Imaizumi destaca que o salário mínimo é um parâmetro fundamental para todo o mercado de trabalho, não apenas para o setor formal. Ele ressalta que, como a maioria ganha no máximo dois salários mínimos, o reajuste do piso acaba definindo as condições de renda no país.

Para o próximo ano, o governo federal projeta um salário mínimo de R$ 1.741, um aumento de R$ 120 em relação ao valor atual. A estimativa foi revisada para cima, após ajustes nas projeções de inflação e crescimento do PIB.

Esse novo valor será incluído na proposta de Orçamento da União, que será enviada ao Congresso, e terá impacto direto em aposentadorias e benefícios sociais. A confirmação oficial do reajuste, no entanto, dependerá do índice inflacionário consolidado até novembro.

Fonte: NSC Total

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