O SBT comemorou 45 anos no dia 19 de agosto, mas parece ter mergulhado em um período turbulento, no qual uma crise se sucede a outra em velocidade impressionante. Nos últimos dias, a emissora viu-se envolvida em uma série de episódios negativos, que vão desde o cancelamento de um debate presidencial até denúncias que respingam em alguém muito próximo da família Abravanel.
Em meio a meses dominados pela corrida eleitoral, o debate que ocorreria nos estúdios da emissora na segunda-feira, 14, foi cancelado após a ausência de confirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). A produção havia mobilizado dezenas de profissionais e investido pesado em um evento que acabou não se concretizando.
O tropeço no campo político foi seguido por outro, envolvendo Rodrigo Bocardi. O jornalista foi preventivamente afastado do comando do SBT Cidades depois de acusações de que teria cobrado dinheiro de prefeituras para exibir apenas problemas já solucionados, levantando dúvidas sobre a imparcialidade de suas reportagens. Bocardi negou as acusações, classificou o afastamento como precipitado e alegou manter contratos comerciais pessoais com governos municipais.
O episódio ganha contornos ainda mais delicados porque ocorreu pouco depois de outro atrito entre Bocardi e a emissora: a direção do SBT proibiu recentemente que o apresentador mencionasse a marca BocaTV no ar, rompendo a parceria com a plataforma criada por ele após deixar a Globo.
Apesar dessas polêmicas, o caso que mais tem gerado desconforto nos bastidores do SBT é o envolvimento de Fábio Faria, marido de Patrícia Abravanel e figura influente na área institucional da emissora, com Daniel Vorcaro, personagem central do liquidado Banco Master. O nome do ex-deputado apareceu em reportagem da Piauí sobre a investigação que cerca o banqueiro e uma suposta festa descrita como tendo “120 mulheres para 20 homens”. Embora nada tenha sido confirmado pela Polícia Federal, a simples associação de um nome tão próximo à família já é suficiente para gerar grande alvoroço.
Para piorar, vale lembrar que, por articulação de Faria, a estreia do SBT News, em dezembro do ano passado, contou com a presença de autoridades dos três Poderes, incluindo Lula e Alexandre de Moraes.
Além disso, Ratinho voltou a colocar o SBT em uma situação complicada. Após declarações consideradas transfóbicas, o apresentador tornou-se alvo de nova denúncia apresentada pela deputada Érika Hilton ao Ministério Público. Em entrevista ao Papagaio Falante, ele repetiu que a parlamentar “é trans, não mulher”.
Esse caso é composto por vários episódios repetitivos, o que só agrava o problema institucional, de imagem e de respeito à diversidade. Desde a primeira fala preconceituosa do apresentador, uma série de questionamentos públicos foram direcionados à emissora.
Assim, em poucos dias, o SBT conseguiu reunir um grande evento político cancelado às vésperas da eleição, uma crise de transparência no jornalismo, um nome ligado à família aparecendo em uma reportagem de grande repercussão e novas acusações envolvendo uma de suas maiores estrelas – uma combinação que qualquer emissora tenta evitar a todo custo.
Fonte: Veja




















