A atriz Glória Menezes faleceu na terça-feira (18), aos 91 anos, encerrando uma trajetória que deixou marcas profundas na cultura brasileira. Com mais de seis décadas dedicadas às artes, ela construiu uma carreira sólida no teatro, no cinema e, principalmente, na televisão.
Na Globo, emissora onde trabalhou por décadas, Glória participou de mais de 40 telenovelas e interpretou personagens que se tornaram memoráveis para o público. Sua estreia na TV ocorreu em 1959, e desde então ela se tornou um dos rostos mais conhecidos da teledramaturgia nacional.
Entre seus trabalhos mais lembrados, o filme “O Pagador de Promessas” (1962) ocupa lugar de destaque. No longa, ela viveu Rosa, esposa de Zé do Burro (Leonardo Villar), que acompanha o marido em uma caminhada de fé, carregando uma cruz até uma igreja em Salvador.
Esse filme, dirigido por Anselmo Duarte, conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes daquele ano, feito inédito para o cinema nacional. Até hoje, é a única produção brasileira a receber essa honraria.
Em 1970, Glória integrou o elenco de “Irmãos Coragem”, novela de Janete Clair. Seu papel era desafiador: viver Lara, Diana e Márcia, três personalidades de uma mesma mulher. A trama girava em torno dos irmãos Coragem, interpretados por Tarcísio Meira, Cláudio Cavalcanti e Cláudio Marzo, que lutavam contra o fazendeiro Pedro Barros (Gilberto Marinho), pai da personagem de Glória.
Outro marco em sua carreira foi a novela “Pai Herói” (1979), também escrita por Janete Clair. Na história, Glória deu vida a Ana Preta, uma heroína do povo, dona da casa de samba Flor de Lys, no subúrbio do Rio. A personagem vivia um amoroso embate entre André (Tony Ramos) e Carina (Elizabeth Savala).
Na década de 1980, Glória brilhou em “Guerra dos Sexos” (1983), de Silvio de Abreu, onde interpretou Roberta Leone, mulher de origem simples e personalidade forte, que após a viuvez luta para manter a fábrica herdada. A novela explorou o lado cômico do casal formado com Tarcísio Meira, seu marido na vida real.
Em “Brega & Chique” (1987), de Cassiano Gabus Mendes, Glória foi Rosemere da Silva, mulher que ascende socialmente enquanto a personagem de Marília Pera, Rafaela Alvaray, enfrenta a ruína. As duas dividem o mesmo marido, Hervert (Jorge Dória), que planeja uma jogada para escapar da falência. A novela também contou com a participação de Tarcísio Filho, filho do casal Glória e Meira.
“Rainha da Sucata” (1990) trouxe Glória no papel de Laurinha Figueroa, uma socialite decadente. Sua personagem marcou a televisão por ser a primeira a cometer suicídio em uma novela, cena que chocou o público.
Em “Torre de Babel” (1998), Glória interpretou Marta Toledo, esposa de César (Tarcísio Meira), com quem tinha três filhos. Insatisfeita no casamento, Marta se aventura em um caso com Bruno (Stenio Garcia), em uma trama que abordava desejos e conflitos familiares.
Já em “Senhora do Destino” (2004), Glória viveu Laura, casada com o barão Pedro (Raul Cortez). O casal era alegre, mas a personagem foi diagnosticada com Alzheimer, o que trouxe visibilidade para a doença em um horário de grande audiência.
Em “A Favorita” (2008), sua Irene era uma mulher rica, mãe de Marcelo (Flávio Tozelani), que foi assassinado. Casada com Gonçalo (Mauro Mendonça), Irene nutria uma paixão por Copola (Tarcísio Meira) e tinha uma relação complicada com a nora Donatela (Claudia Raia). A descoberta de que Flora (Patrícia Pillar) era a assassina marcou a trama.
Por fim, “Totalmente Demais” (2015), de Rosane Svartman e Paulo Halm, foi seu último trabalho na TV. Glória interpretou Stelinha, mãe de Arthur (Fábio Assunção), que retorna ao Brasil para ensinar etiqueta a Eliza (Marina Ruy Barbosa) e sonha com o casamento do filho com Carolina (Juliana Paes).
A morte de Glória Menezes encerra um capítulo importante na história da dramaturgia brasileira. Seu talento e versatilidade deixam saudades, e seus personagens permanecerão na memória dos telespectadores.
Fonte: O GLOBO





















