A Havan prepara um dos movimentos mais simbólicos de sua trajetória. No dia 14 de novembro, às 10h, a varejista inaugura em Boa Vista, Roraima, sua megaloja de número 200, consolidando a meta anunciada para 2026 e ampliando a presença da empresa no extremo Norte do país. A nova unidade terá cerca de 20 mil metros quadrados, mais de 350 mil itens, estacionamento gratuito, ambiente climatizado e a tradicional réplica da Estátua da Liberdade, elemento associado à identidade visual da companhia.
A chegada à 200ª loja ocorre no mesmo ano em que a empresa completa 40 anos de atividade e representa um avanço relevante em uma estratégia que combina grandes pontos físicos, expansão territorial e concentração das vendas no varejo presencial. No fim de 2025, a Havan operava 184 unidades. Ao longo desse ano, foram anunciadas sete novas megalojas e ampliada sua área de vendas para aproximadamente 923 mil metros quadrados. O ritmo foi intensificado em 2026. Em agosto, a rede já contava com 195 lojas em funcionamento, após a inauguração de uma unidade em Tramandaí, no Rio Grande do Sul, enquanto novas operações estavam em preparação em diferentes regiões do país.
O movimento chama atenção porque ocorre em um ambiente ainda desafiador para o varejo brasileiro, marcado por juros elevados, crédito mais seletivo e consumidores mais cautelosos. Ainda assim, os números de 2025 deram à companhia margem financeira para acelerar investimentos. Segundo dados divulgados pela empresa e reportados pela imprensa econômica, a Havan registrou faturamento de R$ 18,5 bilhões em 2025, crescimento superior a 16% sobre o ano anterior, e lucro líquido próximo de R$ 3,5 bilhões, o maior resultado de sua história. Há uma diferença importante de conceito nos números divulgados: a companhia informa faturamento de R$ 18,5 bilhões, enquanto dados obtidos pela Forbes apontam receita líquida de R$ 13,7 bilhões, também com crescimento de aproximadamente 16% em relação a 2024. O lucro líquido levantado pela publicação foi de R$ 3,45 bilhões. Para 2026, a empresa distribuiu como objetivos atingir R$ 22 bilhões em faturamento, superar a marca de 25 mil colaboradores e terminar o ano com 200 megalojas.
A expansão da Havan também contrasta com uma tendência de parte do varejo brasileiro de reduzir grandes áreas comerciais diante do crescimento do comércio eletrônico. Na empresa catarinense, porém, a loja física continua sendo o centro do modelo de negócio. Em entrevista à Forbes, Luciano Hang afirmou que aproximadamente 95% das vendas ainda são realizadas em unidades físicas, enquanto o comércio eletrônico responde por cerca de 5%. A lógica ajuda a explicar o formato das chamadas “megalojas”. Além da venda de produtos, as unidades são concebidas como pontos de grande circulação, normalmente com estacionamento amplo, áreas climatizadas e uma oferta extensa de mercadorias. O catálogo da rede chega a aproximadamente 350 mil itens, abrangendo setores como vestuário, cama, mesa e banho, utilidades domésticas, decoração, eletroeletrônicos e outros segmentos. Segundo a Forbes, confecções e produtos de cama, mesa e banho possuem peso relevante na receita da companhia.
A escolha de Boa Vista para sediar a unidade de número 200 também reforça a estratégia de aumentar a cobertura territorial da marca. A empresa vinha destacando Roraima, Amapá e Ceará entre os estados ainda necessários para completar sua presença nacional. Ao anunciar seus planos para 2026, a Havan informou que pretendia inaugurar unidades em Boa Vista, Macapá e Fortaleza como parte desse movimento. A rede já avançava também em outros mercados do Norte. Equipes de engenharia da empresa acompanharam neste ano obras e projetos no Distrito Federal, Amapá, Roraima e Rondônia, segundo publicação do próprio grupo. A presença em cidades distantes da sede, localizada em Brusque, Santa Catarina, representa um desafio logístico adicional. A companhia opera sua estrutura a partir de um centro de distribuição em Barra Velha, também em Santa Catarina, enquanto amplia gradualmente sua cobertura para regiões cada vez mais distantes do Sul do país.
Outro componente importante da estratégia da Havan é a entrada em cidades médias e polos regionais. Além das capitais, a rede vem abrindo unidades em municípios com forte capacidade de consumo regional. Em 2026, foram anunciados projetos ou inaugurações em cidades como Goiânia, Curitiba, Maringá, Garibaldi, Taquara, Blumenau, Ariquemes e Tijucas, entre outros mercados. Esse modelo permite à empresa explorar regiões em que uma megaloja pode atender não apenas os moradores do município-sede, mas consumidores provenientes de diversas cidades próximas. A própria companhia afirma enxergar espaço para uma expansão ainda maior. Luciano Hang declarou que estudos internos identificaram possibilidade para mais de uma centena de novas unidades no país no longo prazo, indicando que a marca de 200 lojas deve ser tratada mais como uma etapa do que como um ponto final.
A abertura de grandes lojas também produz impacto direto nas economias municipais por meio da contratação de trabalhadores, obras, serviços terceirizados, transporte e incremento da circulação comercial no entorno dos empreendimentos. Segundo Luciano Hang, uma unidade da rede pode gerar aproximadamente 200 empregos, embora esse número possa variar conforme o tamanho e a operação de cada loja. No caso de Boa Vista, o empreendimento coloca Roraima no centro de uma etapa histórica do crescimento da companhia. Ao escolher uma capital para receber a 200ª unidade, a Havan transforma a inauguração em uma espécie de marco institucional dos seus 40 anos.
Do ponto de vista econômico, entretanto, o número 200 é mais do que uma peça de marketing. Ele revela uma aposta clara da companhia no varejo físico de grande escala, em um momento em que concorrentes investem cada vez mais em lojas menores, marketplaces e operações digitais. A estratégia apresenta riscos — especialmente diante dos custos de implantação, logística e manutenção de grandes estruturas —, mas os resultados recentes mostram que, até aqui, a Havan conseguiu transformar a expansão territorial e aumentar a escala em crescimento de receita e lucro. Se a tendência for mantida, a inauguração de Boa Vista não deverá representar o encerramento do ciclo de expansão, mas o início de uma nova etapa na disputa da companhia por presença em praticamente todo o mercado consumidor brasileiro.
Fonte: Redação



















