Uma mulher de 71 anos, moradora de Biguaçu, na Grande Florianópolis, passou por momentos de pânico após ser abordada por um golpista que se apresentou como músico. O crime aconteceu no dia 7 de julho, quando a vítima foi sequestrada e lançada em um barranco com cerca de 200 metros de profundidade, em uma região de mata de difícil acesso em Gaspar, no Vale do Itajaí.
De acordo com o relato da idosa, ela estava em um clube e logo foi abordada pelo suspeito, que se identificou como integrante de uma banda e disse que estava na cidade pela primeira vez. O homem alegou ser natural do Rio Grande do Sul, o que chamou a atenção da vítima naquele momento.
O local do primeiro contato foi um bailão em São José, também na Grande Florianópolis. O golpista convidou a mulher para um encontro no dia seguinte, e ela aceitou. Segundo apurações da Polícia Civil, o suspeito já frequentava o estabelecimento havia três semanas, com o objetivo específico de se aproximar da vítima.
Nos dias seguintes, o casal visitou cidades como Balneário Camboriú, Itapema, Itajaí, Penha e Balneário Piçarras. O cenário mudou quando, durante um trajeto, o homem anunciou o sequestro. Ele amarrou a idosa, colocou-a no porta-malas do próprio veículo e seguiu até Gaspar.
A vítima contou que percebeu uma mudança no comportamento do suspeito quando ele demonstrava estar perdido. Ao sinalizar que queria retornar para casa, o golpista parou o carro e revelou que ela estava sendo sequestrada. Ele usou fitas adesivas para imobilizar os braços, pernas e boca da mulher, que passou a noite em pânico.
“Nunca senti tanto frio em toda a minha existência. Fiquei sem dormir a noite inteira”, desabafou a idosa, emocionada ao relembrar os detalhes do cativeiro. O suspeito a conduziu até uma ribanceira, onde a abandonou em meio à vegetação.
Os filhos da vítima notaram o desaparecimento quando ela parou de responder às mensagens e não retornou para casa. Com isso, acionaram a polícia, que iniciou buscas na região. Após aproximadamente 24 horas, os agentes encontraram a mulher em estado de hipotermia, com diversos hematomas pelo corpo, em uma área de mata isolada.
A idosa foi resgatada e encaminhada a uma unidade de saúde, onde recebeu atendimento médico. Após a internação, ela recebeu alta e já está em casa, mas a família afirma que ela passará por acompanhamento psicológico para superar o trauma.
As investigações apontam que um funcionário da casa de shows pode ter colaborado com o crime. A suspeita é de que ele tenha repassado informações sobre a presença da vítima no local, facilitando a ação do golpista. A Polícia Civil segue analisando as circunstâncias do caso.
O autor do crime foi identificado como Maicon de Moura, de 42 anos. O homem possui 18 condenações na Justiça de Santa Catarina, principalmente por roubo, estelionato e furto. Ele é apontado como especialista no chamado golpe do “Don Juan”, direcionado a mulheres idosas e viúvas.
Nesse tipo de golpe, o criminoso adota uma postura afetuosa, faz promessas de um relacionamento duradouro e conquista a confiança da vítima até que consegue aplicar o golpe e subtrair bens ou valores. A vítima de 71 anos foi mais uma a cair na lábia do suspeito.
Após cometer o crime, Maicon fugiu para Joinville, no Norte do estado. Ele foi localizado no dia 8 de julho e preso em flagrante enquanto tentava se esconder no telhado de uma empresa. A polícia chegou até ele após identificar o veículo da vítima na garagem da casa onde estava.
Em depoimento, o suspeito confessou a ação e justificou que precisava de dinheiro para quitar uma dívida com traficantes. Ele alegou que estava sendo pressionado e ameaçado por uma facção criminosa, o que o teria levado a cometer o crime.
O Ministério Público de Santa Catarina apresentou denúncia contra Maicon pelos crimes de roubo e sequestro. Ele permanece detido, à disposição da Justiça, enquanto o processo segue em andamento.
Fonte: ND+





















