O recém-empossado reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior, afirmou que a instituição não possui uma orientação ideológica e que busca fortalecer a interação com a comunidade catarinense. A declaração foi dada em entrevista ao programa Conversas Cruzadas, da rádio CBN Floripa, nesta sexta-feira (14).
Segundo o dirigente, a universidade respeita a pluralidade de pensamentos e garante espaço para manifestações, desde que conduzidas dentro de limites considerados razoáveis para o debate civilizado. “A UFSC não tem ideologia. As pessoas podem se manifestar livremente, mas, claro, dentro de parâmetros aceitáveis, da boa discussão, da boa análise”, pontuou.
Nos últimos anos, a instituição tornou-se alvo de críticas por parte de estudantes e professores alinhados à direita, que relatam episódios de cerceamento a opiniões divergentes, muitas vezes promovidos por grupos informais, em vez de ações institucionais. A gestão anterior foi marcada por forte atuação de movimentos identitários e progressistas, o que gerou desconforto em setores conservadores.
Na visão do novo reitor, a universidade precisa passar por um processo de “arejamento”, ampliando o leque de diálogo e reconectando-se com segmentos que se sentiam distantes. Ele defende uma aproximação efetiva com o setor produtivo e com os governos, oferecendo o conhecimento técnico-científico da UFSC para contribuir com soluções em áreas estratégicas, como saúde, transporte e educação.
“Queremos nos aproximar do mercado, queremos nos colocar para a sociedade com o nosso conhecimento à disposição para ajudar na solução dos diversos problemas e desafios em Santa Catarina”, afirmou Oliveira Júnior, ressaltando que a universidade está aberta a propostas de parcerias com empresas e órgãos públicos.
No campo do financiamento, o reitor reconhece que o relacionamento com o governo federal é essencial para garantir o orçamento. No entanto, ele sinaliza que pretende buscar fontes adicionais de receita por meio de projetos de pesquisa, ensino e extensão, além de parcerias institucionais. A ideia é reduzir a dependência exclusiva dos repasses federais.
Oliveira Júnior também ressaltou a importância de cuidar da estrutura física e da imagem da universidade. Ele destacou que a manutenção dos campi, com jardins bem cuidados, prédios conservados e ambientes seguros, é fundamental para transmitir credibilidade e atrair a comunidade. Para ele, essa apresentação visual reflete o compromisso da instituição com a excelência.
Dados apresentados pelo reitor mostram que a UFSC já formou 178 mil profissionais ao longo de sua história, considerando graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Desse total, aproximadamente 60 mil ex-alunos, ou um terço, fundaram ou criaram 107 mil empresas. O reitor usou esses números para reforçar o perfil empreendedor dos egressos, o que, em sua avaliação, demonstra o impacto positivo da universidade na economia e na sociedade.
A nova gestão, empossada em julho, promete uma mudança de postura em relação ao ambiente acadêmico, priorizando o diálogo e a pluralidade. A expectativa é de que a UFSC se torne um espaço mais receptivo a diferentes correntes de pensamento, sem abrir mão de sua relevância histórica e científica.
Fonte: NSC Total




















