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LULINHA NA BERLINDAPF apura possível interferência de filho de Lula em negócios com o governo

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A Polícia Federal (PF) abriu uma nova frente de investigação para apurar se o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e primogênito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria atuado como intermediário de interesses privados junto a órgãos do governo federal. O caso veio a público por meio da revista Veja, que obteve acesso integral aos autos do inquérito.

De acordo com os documentos, as suspeitas tomaram corpo após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a quebra do sigilo telemático de Roberta Luchsinger, lobista que já vinha sendo monitorada em outro processo. Com isso, a equipe da PF passou a analisar mensagens e arquivos armazenados em nuvem que reforçaram a hipótese de atuação coordenada de um grupo.

Além de Roberta e Lulinha, o material levanta a participação de Fernando Bittar, amigo de longa data e sócio em empreendimentos anteriores, e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, apelidado de Marcola, que ocupava o cargo de chefe de gabinete do presidente Lula.

Em relatório técnico, os investigadores afirmam ter encontrado elementos que sugerem a formação de um núcleo operacional, liderado por Roberta, com apoio direto de Lulinha e Bittar, voltado a tratar de questões particulares com integrantes da administração pública federal.

Nas conversas obtidas, Roberta chega a mencionar que os três trabalhavam em conjunto. Em uma ocasião, ela descreve a postura de Lulinha: “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar”. Para os investigadores, essa fala indica que, embora ele não aparecesse com frequência nas tratativas, sua influência era considerada relevante para o andamento dos negócios.

Um dos episódios mais detalhados envolve a tentativa de regulamentar a produção e a venda de medicamentos à base de canabidiol. Roberta era ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que já responde a acusações de envolvimento em fraudes contra aposentados e pensionistas. O objetivo do grupo seria conseguir um contrato estimado em mais de R$ 1 bilhão com o Ministério da Saúde.

Para destravar o acordo, Roberta teria recorrido a Lulinha. A PF também encontrou indícios de que Marcola participou das articulações, tendo marcado uma reunião entre a lobista e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo da pasta da Saúde.

Após o encontro, Marcola teria recebido uma minuta sobre a regulamentação dos medicamentos. No mesmo período, Roberta teria arcado com despesas pessoais do então chefe de gabinete, incluindo faturas de cartão de crédito, seguros, financiamento de veículo e aquisição de joias, totalizando cerca de R$ 217 mil entre fevereiro e março de 2024. Marcola, por sua vez, afirmou que se tratava de um empréstimo particular, já quitado.

As investigações não se restringem ao Ministério da Saúde. Há mensagens que tratam de pressões sobre Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência no governo Dilma Rousseff, com o intuito de favorecer interesses do grupo. Além disso, a Telebras também aparece no material apreendido.

Em uma das conversas, Lulinha e Roberta discutem a atuação de Kalil Bittar, irmão de Fernando Bittar, que, segundo os investigadores, teria usado o nome do filho do presidente na tentativa de obter um contrato com a estatal.

O material ainda revela projeções financeiras ambiciosas. Roberta teria estimado ganhos de R$ 100 milhões para o ano de 2024 e, conforme a PF, teria dado orientações ao motorista para realizar entregas de valores em espécie.

Esse aprofundamento das apurações ocorre no contexto da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em abril de 2025, que investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O caso gerou a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.

Na fase inicial das investigações, uma testemunha chegou a afirmar que Lulinha teria atuado em favor de Careca e Roberta, mas não havia provas concretas naquele momento. Agora, com as mensagens obtidas, os investigadores buscam confirmar se houve uso da proximidade com o presidente para facilitar negócios privados dentro do governo.

Em nota, Lulinha negou qualquer irregularidade. O presidente Lula também saiu em defesa do filho, afirmando acreditar em sua inocência, mas ressaltou que a investigação deve seguir seu curso: “Se tiver alguma coisa, vai pagar o preço”.

Fonte: Revista Oeste

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