A escassez de exames de ressonância magnética está retardando a identificação da esclerose múltipla, uma condição neurológica crônica, autoimune e degenerativa. O alerta foi feito nesta quinta-feira (6) durante a sessão matinal da Assembleia, em referência ao Agosto Laranja, mês dedicado à conscientização sobre a doença. A manifestação partiu de Marcia Denardin, presidente interina da Associação Florianopolitana de Pessoas com Esclerose Múltipla (Aflorem) e integrante da entidade Vivendo Além da Esclerose.
A situação é crítica nos hospitais públicos que oferecem acompanhamento ambulatorial especializado. O Hospital Celso Ramos não dispõe do equipamento necessário para realizar os exames, enquanto o Hospital Universitário (HU) está há 11 meses sem um aparelho funcional. Essa lacuna compromete diretamente o diagnóstico precoce e o monitoramento dos pacientes.
Marcia, que convive com a doença há 22 anos e depende de medicamento obtido por decisão judicial, não integra as estatísticas oficiais. Estima-se que mais de duas mil pessoas em Santa Catarina sejam afetadas pela esclerose múltipla, que faz o sistema imunológico atacar erroneamente a mielina, a camada protetora dos neurônios, prejudicando a transmissão dos impulsos nervosos e a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.
Os sintomas incluem perda de visão, alterações na sensibilidade, dificuldades para caminhar, fadiga intensa, dores, problemas cognitivos, distúrbios urinários e comprometimento do equilíbrio. A doença, chamada de “doença das mil faces”, manifesta-se de formas distintas em cada paciente, por isso a necessidade de redes de apoio é tão enfatizada. “Nenhuma pessoa sozinha precisa enfrentar o diagnóstico”, destacou Marcia.
A origem da enfermidade não é totalmente conhecida, mas acredita-se que combine fatores genéticos e ambientais, como infecções virais anteriores. Ela afeta com mais frequência adultos jovens, entre 20 e 40 anos, com predominância no sexo feminino. Recentemente, em Florianópolis, foram diagnosticadas crianças de 12 e 14 anos.
Nesses casos, a situação se agrava: embora a Anvisa reconheça a eficácia de medicamentos pediátricos, eles não estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nem são fornecidos pelos planos de saúde. “Quanto mais cedo houver um diagnóstico correto, maiores as chances de preservar funções neurológicas e evitar incapacidades”, alertou.
Marcia reforçou a importância de entidades que reúnem pacientes, familiares e profissionais, além da manutenção e do fortalecimento dos ambulatórios especializados. “Paciente informado faz melhores escolhas”, afirmou, acrescentando: “A esclerose múltipla não espera”.
Fonte: Assembleia SC





















