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CENÁRIO PRODUZIDOLula inclui livros lidos na prisão em cenário de vídeos de campanha

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu usar os livros que leu enquanto esteve preso como parte do cenário de suas gravações de campanha. Uma estante com esses títulos foi montada no local onde os vídeos são produzidos, em um aceno ao período de reclusão.

Na terça-feira, 18, Lula gravou parte das peças que irão ao ar no horário eleitoral obrigatório, cuja exibição começa na sexta-feira, 28. As filmagens ocorreram no comitê de campanha, localizado no Lago Sul, área nobre de Brasília. A equipe já divulgou um dos vídeos feitos no estúdio, que aborda o fim da chamada “Taxa das Blusinhas”.

Durante os 580 dias em que ficou detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula afirmou ter lido mais de 40 obras. A lista inclui romances, estudos de sociologia e biografias de figuras históricas, mostrando a diversidade de interesses do petista.

Entre os títulos escolhidos estão “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves; “O Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel García Márquez; e “O Último Cabalista de Lisboa”, de Richard Zimler. Também compõem a seleção “A Elite do Atraso”, de Jessé Souza; “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, de Yuval Noah Harari; “A Fome”, de Martín Caparrós; “O Petróleo”, de Daniel Yergin; e “Escravidão”, de Laurentino Gomes.

A estante visa reproduzir simbolicamente o período de pouco mais de um ano e meio em que o ex-presidente esteve preso, um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória política. A prisão ocorreu entre 7 de abril de 2018 e 8 de novembro de 2019, quando Lula foi detido no âmbito das investigações conduzidas pelo então juiz Sergio Moro, hoje candidato ao governo do Paraná pelo PL.

Na ocasião, a acusação apontou um apartamento triplex no Guarujá (SP) como propriedade oculta do líder petista, resultando em condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Lula deixou a prisão em novembro de 2019, após o Supremo Tribunal Federal (STF) alterar o entendimento sobre a prisão em segunda instância. Posteriormente, o STF anulou os processos, devolvendo a elegibilidade ao presidente.

O uso dos livros como cenário busca reforçar a narrativa de resistência e superação, enquanto Lula tenta a reeleição. A propaganda eleitoral deve explorar essa imagem, associando-a a um período que o petista classifica como injusto, mas que ele transformou em símbolo de sua história.

Fonte: Revista Oeste

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