A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) tem avançado em práticas de sustentabilidade por meio do programa Alesc Sustentável, que agora registra resultados concretos com a instalação de sete pontos de coleta exclusivos para bitucas de cigarro. Desde setembro de 2025, a iniciativa já recolheu 22,7 quilos do material, o que equivale a 58.802 filtros reciclados e a 29,4 mil litros de água preservados.
Com essa ação, a Alesc se tornou a primeira Assembleia Legislativa do Brasil a manter um sistema permanente de reciclagem desse tipo de resíduo. O projeto é conduzido pela Coordenadoria de Sustentabilidade e Acessibilidade e faz parte do programa Alesc Sustentável, reforçando o compromisso da Casa com a redução de impactos ambientais e com a conscientização sobre o descarte adequado de resíduos. Os coletores foram distribuídos em pontos estratégicos do Palácio Barriga Verde e da Unidade Administrativa Presidente Deputado Aldo Schneider.
Depois de recolhido, o material segue para a usina da Poiato Recicla, em Votorantim (SP), única empresa do mundo com validação científica para reciclar resíduos de cigarro. A tecnologia foi criada pela Universidade de Brasília (UnB), patenteada pela instituição e licenciada à empresa desde 2014. O processo utiliza tratamentos físico e químico para eliminar mais de 7 mil substâncias tóxicas presentes nas bitucas, remover completamente o odor e recuperar o acetato de celulose, componente do filtro. Após a descontaminação, as bitucas passam por lavagem, descaracterização e prensagem, originando uma massa celulósica reciclada usada na fabricação de papel artesanal, papel machê e outros produtos sustentáveis.
A massa celulósica é doada a artesãos, artistas, entidades beneficentes e projetos sociais de várias regiões do país, gerando renda, inclusão social e educação ambiental. Entre os beneficiados estão APAEs, projetos de saúde mental, oficinas terapêuticas, iniciativas comunitárias e programas de sustentabilidade. O material também tem sido empregado em escolas, oficinas de educação ambiental e pesquisas sobre construção civil sustentável, mobiliário, pistas de skate e outros produtos inovadores na Grande São Paulo.
Para a coordenadora de Sustentabilidade e Acessibilidade da Alesc, Isabel Pinheiro de Paula Couto, a medida representa um avanço importante ao retirar do meio ambiente um dos resíduos urbanos mais nocivos e frequentemente descartados de forma irregular. “A bituca de cigarro é composta por acetato de celulose, um tipo de plástico que pode levar até 15 anos para se decompor, além de conter milhares de substâncias tóxicas que contaminam o solo e os recursos hídricos. Ao dar uma destinação ambientalmente correta a esse resíduo, evitamos um grande impacto ambiental e fortalecemos a economia circular na prática”, afirma.
A reciclagem é feita em parceria com a Poiato Recicla, responsável pela instalação dos coletores e pela coleta quinzenal das bitucas. O material é levado à usina da empresa, onde passa por lavagem e descontaminação até se transformar em massa de papel machê. Em seguida, a matéria-prima é encaminhada a programas e projetos sociais parceiros, nos quais artesãos produzem peças de artesanato sustentável, ampliando os benefícios ambientais e sociais da ação.
O diretor da Poiato Recicla, Marcos Poiato, avalia que o maior legado da iniciativa vai além da reciclagem. “Um dos principais resultados é a conscientização. Quando existem coletores apropriados, as pessoas passam a desenvolver o hábito de descartar corretamente as bitucas, evitando que esse resíduo altamente poluente seja jogado nas ruas, calçadas, rios e praias.” Segundo ele, as bitucas estão entre os resíduos mais encontrados no meio ambiente em todo o mundo. Elas podem levar até 15 anos para se decompor e, nesse período, liberam milhares de substâncias tóxicas que contaminam o solo e os recursos hídricos, prejudicam a fauna e aumentam o risco de incêndios.
Estudos científicos comprovam esses impactos. Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que duas bitucas misturadas a um litro de água geram uma carga poluidora equivalente à de um litro de esgoto doméstico. Outro estudo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), indicou que meia bituca já é suficiente para causar a morte de organismos marinhos.
Além da destinação correta do resíduo, a iniciativa fortalece a cultura da sustentabilidade no Parlamento catarinense e reafirma o compromisso da Alesc com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao adotar práticas concretas de gestão ambiental em sua rotina administrativa, a Assembleia demonstra que o Poder Legislativo vai além da elaboração de leis, servindo de exemplo para outras instituições públicas e para a sociedade.
Em 16 anos de atuação, a Poiato Recicla já retirou do meio ambiente mais de um bilhão de bitucas de cigarro, atendendo centenas de clientes em todo o país. A Assembleia Legislativa de Santa Catarina é a primeira e única Assembleia Legislativa brasileira a participar dessa iniciativa.
Fonte: Assembleia SC



















