PRESIDENCIÁVELAugusto Cury defende pacto nacional, alerta para economia e detalha propostas para disputar a

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Em encontro com jornalistas na capital paulista, o psiquiatra e escritor Augusto Cury, que disputa a indicação do Avante para o Palácio do Planalto, externalizou sua visão sobre os rumos do país e as diretrizes que pretende adotar caso vença as eleições de 2026. Ele defendeu a formação de um governo de coalizão, com diálogo permanente entre os Poderes, e apresentou um diagnóstico contundente sobre a situação fiscal que o próximo mandatário terá de administrar.

Cury classificou a atual conjuntura política como um dos maiores empecilhos para o progresso nacional. Para ele, a divisão radicalizada entre os espectros ideológicos impede a implementação de políticas públicas consistentes e duradouras. “Um país dividido é um país imobilizado, enfermo, em que a divergência é tratada como hostilidade a ser eliminada”, afirmou, defendendo a construção de um pacto suprapartidário em torno de temas essenciais.

O pré-candidato sugeriu que, em um eventual governo, a aproximação entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário seria uma das primeiras medidas. O objetivo, segundo ele, seria criar canais de negociação permanentes para enfrentar problemas crônicos como a violência de gênero, a defasagem educacional, o baixo dinamismo econômico e as desigualdades regionais e sociais.

Ao ser indagado sobre a herança fiscal que o sucessor do atual presidente receberá, Cury não poupou críticas. Ele afirmou que o país atravessará um período de elevada complexidade, exigindo ajustes drásticos nas contas públicas. “É imprescindível que o governo gaste menos do que arrecada. Sem esse equilíbrio, não há sustentabilidade possível”, declarou, enfatizando a necessidade de revisar despesas e combater o desperdício antes de qualquer ampliação de investimentos.

O escritor foi ainda mais enfático ao projetar o ano de 2027, que considera um “ano de sacrifícios”. Na visão dele, a nova administração encontrará uma situação fiscal explosiva, que demandará medidas duras, porém necessárias para pavimentar o futuro do país. “Será um período de contenção, mas essas escolhas são fundamentais para alicerçar o Brasil que almejamos”, ponderou.

Outro ponto de preocupação levantado por Cury foi o custo do crédito no país. Ele criticou as taxas de juros elevadas, que, em sua avaliação, penalizam especialmente os pequenos agricultores e os empresários, inibindo a expansão dos negócios e a geração de empregos. Para ele, sem um sistema financeiro mais acessível, a retomada econômica consistente fica comprometida.

Na área educacional, o pré-candidato apresentou um conjunto de propostas que considera estruturante. Ele defendeu a expansão das escolas de tempo integral, a melhoria das condições salariais e de trabalho dos docentes e uma reforma profunda do ensino médio, que deveria oferecer formação técnica alinhada às demandas do mercado, como tecnologia, marketing digital, enfermagem, gestão financeira e inteligência artificial. “Nenhuma nação prosperou sem uma educação de período integral”, salientou.

Cury também chamou a atenção para a situação das universidades públicas. Embora reconheça sua importância, ele disse que muitas enfrentam dificuldades financeiras e falta de incentivo à pesquisa e à inovação. “Há um número expressivo de instituições, mas elas não dispõem de recursos adequados para se transformarem em centros de geração de conhecimento, tecnologia e patentes. Precisamos acolhê-las e fortalecê-las”, argumentou.

No campo da saúde, o psiquiatra classificou o Sistema Único de Saúde como uma das maiores conquistas sociais do Brasil, mas ressaltou que o modelo atual está sobrecarregado, com filas intermináveis por consultas e cirurgias. Como alternativa, propôs a criação do programa “Telessaúde Brasil”, uma plataforma nacional de atendimento remoto, com o suporte de inteligência artificial para triagem e orientação inicial.

Segundo Cury, casos de menor complexidade poderiam ser resolvidos à distância, liberando os hospitais e unidades de saúde para se dedicarem a procedimentos mais graves. Essa medida, em sua visão, ajudaria a desafogar o sistema e a ampliar o acesso da população aos serviços médicos.

Quando o assunto é a campanha eleitoral, o pré-candidato reconheceu que sua principal barreira será a visibilidade nas redes sociais. Ele criticou os algoritmos das plataformas digitais, que, em sua opinião, favorecem candidatos com maiores recursos financeiros, ampliando desproporcionalmente o alcance de suas mensagens.

Para superar esse obstáculo, Cury aposta na propaganda eleitoral e nos debates televisionados. “Espero que meus adversários compareçam e tenham coragem de expor seus projetos, assim como faremos com os nossos. Furar a bolha digital é a nossa grande meta”, destacou.

O psiquiatra também confirmou que manteve conversas com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, pré-candidato do Novo ao Planalto. Segundo ele, o diálogo tratou de propostas para o desenvolvimento do país, mas não avançou para questões práticas de formação de chapa. “Não discutimos quem seria o cabeça ou o vice, e sim como construir um Brasil menos polarizado e mais funcional”, esclareceu.

Cury expressou admiração pela trajetória de Zema como gestor e disse que ambos compartilham a preocupação com a superação da divisão política. Ele acredita que essa convergência pode ser o ponto de partida para uma aliança futura, embora nada esteja definido.

Ao definir sua candidatura, Augusto Cury afirmou que seu propósito é pacificar o país, e encara a Presidência como um serviço público. “O presidente não é o líder máximo da nação, mas um funcionário contratado pelo voto, com prazo determinado para ser desligado”, filosofou, reforçando que seu governo, se eleito, será voltado para os interesses da população, acima de disputas ideológicas.

Na entrevista, o pré-candidato também mencionou a necessidade de uma reforma tributária que simplifique o sistema e reduza a carga sobre os setores produtivos, mas sem apresentar detalhes específicos. Ele disse que o tema será aprofundado durante a campanha, junto com outras propostas como a segurança pública e a infraestrutura.

Cury finalizou a conversa reafirmando seu otimismo em relação ao futuro do Brasil. “Apesar das dificuldades, temos potencial para nos tornarmos uma nação próspera e justa. Mas isso exige coragem para mudar o que está errado e humildade para aprender com o passado”, concluiu.

Fonte: ND+

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