Os trabalhadores da Caixa Econômica Federal decidiram, na noite da última sexta-feira (11), recusar a última oferta do banco para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Com isso, a greve deflagrada na quinta-feira (10) prossegue sem data para terminar.
A votação foi conduzida pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, e apontou 68% de rejeição à proposta. O processo de votação foi encerrado às 23h.
A oferta havia sido feita pela Caixa logo no primeiro dia da paralisação, depois que as conversas com os representantes dos empregados foram retomadas. O pacote incluía o pagamento do salário com reajuste, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e de um bônus de R$ 3 mil por funcionário, com previsão de depósito para a próxima sexta-feira (18).
O ponto mais polêmico da negociação foi o Saúde Caixa. A proposta da instituição previa aumentar de 6,5% para 8% o teto de custeio do plano por parte do banco, além de alterar as regras de contribuição dos empregados.
“Sabemos que existe muita insatisfação, especialmente em relação ao Saúde Caixa, que foi um dos temas mais debatidos durante toda a campanha. Tentamos de todas as maneiras separar o Saúde Caixa do ACT, mas a Caixa não aceitou, o que coloca nosso acordo em risco”, declarou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
Antes da votação, o Sindicato realizou uma plenária virtual para esclarecer os termos da proposta e as possíveis consequências de uma rejeição. De acordo com a entidade, 1.167 empregados participaram do encontro.
A Caixa havia alertado que, se a proposta não fosse aprovada dentro do prazo, os termos seriam retirados e o banco poderia recorrer ao dissídio coletivo, levando a negociação para a Justiça do Trabalho.
O dissídio coletivo é um instrumento jurídico utilizado para resolver conflitos entre trabalhadores e empregadores quando as negociações diretas não chegam a um acordo. Nesse caso, a questão é encaminhada à Justiça do Trabalho, que pode determinar condições de trabalho para toda a categoria envolvida.
Esse mecanismo pode abranger, por exemplo, reajustes salariais, benefícios e outras normas trabalhistas, e a decisão judicial pode criar ou interpretar regras que serão aplicadas aos trabalhadores representados.
O sindicato avalia que uma eventual decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) poderia ameaçar direitos garantidos atualmente no ACT e na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Na base do sindicato paulista, a greve teve adesão expressiva logo no primeiro dia: 245 das 283 agências da Caixa permaneceram fechadas, além de quatro centros administrativos do banco na capital.
O sindicato informou que novos encaminhamentos serão comunicados à categoria.
Fonte: Jovem Pan





















