O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta sexta-feira (18), que cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) possuem vínculo, direto ou indireto, com o escândalo que envolve o Banco Master. A afirmação foi feita durante entrevista concedida à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro.
Na ocasião, Lula mencionou explicitamente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Ele sustentou que, antes de se debater qualquer reforma no Judiciário, é imperativo resolver as questões ligadas ao caso do banco.
De acordo com o presidente, a situação do Banco Master tem influenciado o debate sobre o funcionamento do STF e também o processo eleitoral. Lula avaliou que a crise na Corte “contamina tudo” no período que antecede as eleições de outubro.
O presidente também afirmou que não compactua com negócios atribuídos a ministros com pessoas relacionadas ao Banco Master. As declarações surgem em meio à divulgação de dados obtidos pela Polícia Federal a partir do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira.
Reportagens jornalísticas indicaram que Vorcaro mantinha relações ou contatos com cinco integrantes do STF: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. As circunstâncias variam em cada situação e abrangem desde contatos pessoais até relações familiares ou atividades profissionais.
No caso de Moraes, um relatório da Polícia Federal analisado pelo STF apontou trocas de mensagens entre o ministro e Vorcaro. Esse material deu origem a uma petição apresentada por Mendonça, que é relator de parte das investigações sobre o Banco Master.
Em setembro, o plenário do Supremo começou a analisar uma questão sobre a possibilidade de investigar Moraes, mas a discussão foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino. O mérito da petição ainda não foi examinado pelo colegiado.
Mendonça também figura entre os citados devido a um encontro com Vorcaro. O magistrado confirmou que recebeu o empresário uma única vez, em março de 2025, no Instituto Iter, entidade que havia fundado. Segundo Mendonça, a reunião ocorreu por iniciativa de Vorcaro e não tratou do Banco Master nem do Banco Central. Atualmente, Mendonça é o responsável pelas investigações relacionadas ao caso no STF.
A relação de Toffoli com o caso envolve sua atuação inicial como relator de processos relativos ao Banco Master. O ministro deixou a relatoria após a divulgação de informações sobre uma ligação entre empresas de sua família e um empreendimento que tinha participação de pessoas ligadas a Vorcaro. Em setembro, Toffoli e Kassio Nunes Marques não participaram de uma votação sobre o caso, após declararem, respectivamente, suspeição e impedimento.
Kassio Nunes Marques também foi mencionado em reportagens sobre mensagens encontradas no celular de Vorcaro envolvendo seu filho. O ministro declarou-se impedido de participar de julgamento relacionado ao caso. Ele solicitou à Polícia Federal acesso à íntegra dos dados do aparelho apreendido com o ex-banqueiro.
Já Luiz Fux pediu à Polícia Federal acesso aos dados do celular de Vorcaro após a divulgação de mensagens envolvendo o empresário e seu filho, o advogado Rodrigo Fux. Reportagens também registraram a proximidade entre Vorcaro e o advogado. Fux recebeu o material da PF em 17 de setembro.
O caso Banco Master está sob investigação da Polícia Federal e envolve suspeitas de irregularidades financeiras. Em janeiro, o STF informou que havia autorizado a quebra de sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas, além do bloqueio e sequestro de R$ 5,7 bilhões em bens de 38 investigados.
Em 15 de setembro, o STF suspendeu a análise de um pedido relacionado à investigação sobre Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista durante a discussão sobre o julgamento conjunto dos processos envolvendo Moraes e Mendonça. Até aquele momento, o plenário não havia analisado o mérito da petição.
Fonte: O Sul




















